Seu Onoflinho tloca letlas

Desde menininho, livrado das fraldinhas, molequinho que um dia seria, Onoflinho não conseguia soletrar letrinhas da maneira correta.

Trocava o R por L e assim em diante confundia-se todinho quando na escola a professora encomendava uma lição de casa, uma redaçãozinha miudinha sobre qualquer assunto em voga sobre as efemérides do momento.

No dia seguinte e nos detrás Onoflinho, que já era motivo de bullyng por sua orelha igualzinha a do elefante Dumbo, não era motivo de tamanho desencanto pois elas, sendo bem maiores que a dos outros, a ele permitia escutar tal e qual um cão que ouve muito e fala latindo rouco.

Onoflinho cresceu e espichou um cadiquinho.

Quando quase na maior idade media mais ou menos metro e mucado.

E não tinha modos de mudar o seu costume de trocar letras embaralhando-as  atrapalhadas trocando Rs por Eles.

Esse transtorno fonológico é mais comum do que se acredita. Ele recebe o nome de Dislalia.

Onoflinho cresceu e adultou (neologismo Rodarteano que quer dizer tornar-se adulto) cheinho de complexos devido não somente a sua orelhona como também ao seu defeito de trocar o R pelo L. E já na faculdade não perdeu o vício.

Já na juventude não tinha coragem de abordar as mocinhas de antão.

Um dia criou coragem. Na universidade, onde em breve se graduaria em letras, tinha uma verdadeira adoração por uma professora que se chamava Graça Rios. Uma poetisa inspirada que era tida como uma das maiores letradas desse nosso estado chamado Minas Gerais.

E ainda dizem que nossa Minas não é tão linda assim. Aqui tem de tudo um cadiquinho. Tem cachacinha das mió que inventaro.  Tem torremo a fazê tussi de tão gostoso. Tem ospitalidadi como tamém tem ospitá onde nus interna pelo suis. Tem tamanduá que abraça bem apertadin cumo só o mineirim cunhece us amigo pelo cheiro ruim ou bem mió. I, se dizem mostrano os dente que Minas num tem mar que mardade. I cum essa muntueira todinha de coisiquinhas boas ainda dizem que Minas num tem mar. Eu ti digo das profundezas do umbigo: “num é Minas num tem mar. É o mar que num tem Minas Gerais”.

Naquele fim de tarde, a lua querendo se juntar as estrelas, na roça lá em riba do cupinzeiro morto. Onoflinho ajuntou as coragens que não tinha e escreveu um poeminha a lindinha  Gracinha Rios.

“Minha desglaciosa Glaça Lios. Mi peldoe os senões. Esclevo desse jeito desajeitado pois confundo os cafundós das Minas Gelais onde nasci e quelo moler de pés juninhos aqui. Como te acho bonita e folmosinha. Até que te acho bem novinha com essa idade que arcançou agolinha mesmo. Mi palece que ocê dolme debaixo de um lençor de folmol. Em vosmecê num farta nada com sua bunda na cacunda. Com sua bocona cheinha de dentes. Com seu hárito chelando cliolina estlaglada e mofada. Com suas perancas alepiadas. E com seu dejetos fedidos como um pum amanhecido e mal aquecido. Eu te quelo bem merhor que quelia a minha avó lecém farecida.  Não me reve a mar já que aqui em Minas não tem mal que fazem a você minha quelida Glaça Lios”.

Não sei o delfechoecrair dessa caltinha elsclita a quatlo mãozinhas peras duas mãos do Seu Onoflinho e sua madlinha Doloteiazinha.

Não sei o que era ou seria ela lespondeu ilitada ou mal cliada.

E ignolo se o nome dera ou seria dela era Glaça Lios ou a linda Ana malavilha que encontlei  na lua, ou selia rua no dia de ontem.

Um glandão e afetuoso ablaço linda Ana que não me engana o quanto bela que te acho.

Espelo que nosso encontlo se leplique mais dias mais…

 

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