.:. PAULO RODARTE - CRÔNICAS .:.RÔNICAS
• 15/09/2009
EU NÃO SOU DEUS!!!

Estulta observação, que enseja falta de humildade. Quem sou eu, ou qualquer de nós, para se comparar a Deus, na sua grandiosidade?

Eu, ou nós, diz a boca do povo, fomos criados à imagem e semelhança Dele. Exato, com letra maiúscula, como maiúscula é Sua presença.

A presença de Deus pode ser vista não apenas nas igrejas, templos e oratórios. Ela abunda no mato, nas ruas, nas praças, dentro das casas, seja ou não em lares estruturados. Ela até se manifesta em nenhum lugar. E nos mais humílimos lugares. Tudo depende de que Ele seja convidado para entrar. E ele entra, para não mais sair. Desde que estejamos receptivos à sua entrada. Desde que não cobremos aluguel, pois ele pouco ocupa espaço. Não come muito. Não bebe água, por isso não vai à privada.

Um dia nasceu um rapaz. De família simples e honesta, cujo pai sempre teve um sonho, que bem poderia manifestar naquele filho. O sonho possível de fazer o filho médico.

O rapaz veio ao mundo com tudo para satisfazer a vontade do pai. Nasceu com toda inteligência disponível na cabeça. Nasceu de bom Apgar.

Com muito esforço o pai esforçado conseguiu estudar o filho nas melhores escolas do lugar. Mas como era um lugar modesto, tão logo o menino saiu da barra da saia da mãe, que Deus a tenha, o jovem pretenso médico teve de se mudar.

A vida na cidade grande não era um chão de estrelas, como o era na pequena cidade onde o menino foi parido. Lá, por morar num cortiço, com a lua furando o seu zinco, os ratos faziam fila para com o menor jantar.

Com muito esforço e dedicação o rapaz conseguiu vencer a barreira do vestibular. Estudava com afinco, esmerava-se nas noites de lua, queimava pestanas, furava os livros. E conseguiu. Afinal foi ser doutor, e assim se mudou para o interior, o mesmo local de onde saiu menino.

No começo da vida de médico tudo marchava como marcha a égua de charrete. Lenta e para frente. O jovem profissional doutor atendia no posto de saúde local. Dava plantão no hospital, ralava noite insone na cama de um ambulatório vizinho, atendia no consultório pessoas de recursos maiores, e que pagavam não com o frango-de-leite e uma dúzia de ovos caipira; e ainda por cima dividia todo o inferno em vida com dois ou três empregos caça-níqueis, para reforçar a despensa, que, via de regra, ficava vazia. Pois uma tia torta comia mais que uma baleia gulosa.

O tempo passou. O jovem médico perdeu de goleada a juventude, a saúde, a paciência.

Com o tempo ele passou a detestar o telefone e dele fugia como o diabo da cruz.

Com o ronronar do tempo a bexiga começou a pouco tolerar a presença da urina, as cadeiras ringiam como estala o ferro velho, o coração buzinava que não dava conta de tanto assanhamento.

E assim o jovem médico transpôs a barreira dos enta, e entrou em decadência. Entrou pela porta dos fundos. Entrou de soslaio.

Um dia, depois de mais de mil horas de plantão, quando foram atendidos mais de duzentos enfermos, teve o pobre de colocar gesso em mais de dez braços quebrados, sem se importar com ele próprio quebrado, de perder uma semana de sono por conta de um plantão dos diabos, quando até promotor lhe deu voz de prisão por causa de um mal entendido, logo que ele conseguir uma folga, já com a língua de fora, como um cãozinho fatigado, o telefone apitou. Apitou de mansinho, com aquele trim trim de locomotiva estragada. Ele atendeu no melhor do descanso, tirando da cartola um resto de paciência que ainda tinha. Era a mãe de uma criança, não muito criança, que tinha engolido um besouro, com chifre e tudo. E era doente do SUS.

Com uma voz de quem sofre na pele as amarguras das amarguras, o nosso amigo doutor, aquele que trabalhava desde que aquela serra era um montinho lindinho, disse entre dentes raivosos: “minha querida (referindo-se a mãe ansiosa) – Deus fez o mundo em seis dias, e depois descansou. Deixe-me descansar um pouquinho, que amanhã é segunda-feira”.

No dia seguinte ele juntou as tralhas e foi ser deputado... 


.:. PAULO RODARTE - IMAGENS .:.
.:. PAULO RODARTE - CONSULTÓRIO VIRTUAL .:.ONSULTÓRIO VIRTUAL
Caro doutor, 4 dias atrás meu pênis inchou e ontem começou a aparecer tipo de um caroço atrás da "cabeça" no corpo do pênis mesmo... Fiquei preocupado e liguei para clínica UROLITO para saber o preço de uma consulta e a atendente me falou que era R$150,00... Quase cai de costas pois estou desempregado e não tenho renda fixa... Andei lendo na internet e o mais próximo do meu problema foi uma doença chamada de "Doença de Peyronie" e vi que não tem tipo um tratamento adequado... O máximo a fazer é indicar vitaminas ao paciente e observar, mas pagar R$150 reais pra você me dizer isso vai ser complicado. Estou muito preocupado com isso e também claro que pode ser outra doença... Queria saber se tem como você dar um desconto lá na clínica???? ou poderia me responder qual vitaminas devo tomar???? aguardo resposta... muito obrigado