.:. PAULO RODARTE - CRÔNICAS .:.RÔNICAS
• 11/11/2009
A VELHA MÁQUINA DE ESCREVER

Um dia desses peguei carona na máquina do tempo e me transportei ao passado. Nem foi preciso ir longe. Uns cinqüenta anos me foram o bastante. Na ocasião o computador ainda nem tinha nascido, e apenas ela servia como escrevente.

O quarto escritório estava como antigamente. Paredes pintadas de branco, estante armário entulhada de livros velhos, carcomidos pelas traças, uma mesa com quatro gavetas, uma velha cadeira de espaldar alto, a foto do antigo proprietário, e num canto, esquecida pelas lembranças distantes, a velha Facit descansava sem um trato que fosse.  A visão da velha máquina de escrever despertou em mim um flash-back. De repente, sem saber o por quê, me vi aos vinte e poucos janeiros, escutando as notas do teclado da velha Facit, que na época soavam como música aos meus ouvidos.

Era meu pai que escrevia. Dedos ágeis e confiáveis, cabeça compenetrada no trabalho importante. De o seu dedilhar constante nasciam páginas e mais páginas, petições inspiradas, algumas com incorreções, mas nada que um bom corretivo não conseguisse apagar. Horas e horas ele passava a confabular com a velha máquina, quase pareciam amantes dedicados. Ele a tratava com carinho, zeloso da sua parceria cidadã e amistosa. Tal a voracidade com que ele a ela recorria, que a velha máquina de escrever aprendeu a trabalhar sozinha. Era comum, nas noites de lua, escutar o velho teclado se movimentar, sem que ninguém estivesse por detrás.

Eu, ainda moço, não havia tido a curiosidade de experimentar a velha Facit. Temeroso que ela na sua rabugice de velha senhora não aceitasse a inexperiência dos mais jovens mantinha-me a distância segura. Mas nada impedia que admirasse o seu trabalho criterioso, guiado pelas mãos de alguém especial. E a velha máquina de escrever continuava desafiando a idade, as novidades, o assédio do computador que mostrava as caras. Meu pai não a trocava por nenhuma modernidade, e continuava fiel ao seu teclado macio, barulhento, com as letras borradas quando a fita corria cansada pelas folhas de papel. Muitas vezes o cesto de lixo ficava entulhado de folhas sujas, borradas, amassadas. A velha Facit não permitia erros, e se eles aconteciam com muita freqüência a folha de papel era quem pagava o pato.

Centenas, milhares de documentos importantes, páginas inspiradas, saíram das suas zelosas mãos. E a velha máquina de escrever não se cansava nunca. Nem mesmo a ferrugem, nestes anos todos de escrever constante, ousava se aproximar dos seus domínios. Perdi a conta das horas de trabalho. Se possível fosse anotar todas elas, a aposentadoria estaria há muito garantida. Mas a velha máquina de escrever desafiava a idade, e sempre que requisitada não se fazia de rogada. Os computadores chegaram. Muitas das suas irmãs viraram sucata, e foram enterradas no ferro-velho. Mas a velha Facit continuava a desafiar o tempo, e as modernidades.

Um dia o velho operador do seu teclado, após anos e anos de trabalho uníssono e afinado, resolveu descansar. Ele a abandonou não por desprezo, já que odiava os computadores, e sim por que alguém lá do alto dele precisou. Com certeza, na onipotência Divina, o trabalho do Céu precisava de um datilógrafo competente, e ele não se recusou ao apelo, pois do que mais gostava era de trabalhar. E a velha Facit foi entregue à própria sorte, abandonada a um canto, em cima da mesma mesa, do lado da estante entulhada de livros velhos, tendo a fotografia do velho companheiro a velar por ela.

Um dia tive a coragem e a saudade de penetrar no mundo da velha máquina de escrever. Ela ainda estava no mesmo lugar, ele não. Um aperto no coração subiu à garganta, tive vontade de acariciar as suas teclas, mas não tive coragem. A velha Facit merece descanso, naquele quarto de tantas lembranças, do tempo em que fui criança, saudosas recordações do meu pai...


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Caro doutor, 4 dias atrás meu pênis inchou e ontem começou a aparecer tipo de um caroço atrás da "cabeça" no corpo do pênis mesmo... Fiquei preocupado e liguei para clínica UROLITO para saber o preço de uma consulta e a atendente me falou que era R$150,00... Quase cai de costas pois estou desempregado e não tenho renda fixa... Andei lendo na internet e o mais próximo do meu problema foi uma doença chamada de "Doença de Peyronie" e vi que não tem tipo um tratamento adequado... O máximo a fazer é indicar vitaminas ao paciente e observar, mas pagar R$150 reais pra você me dizer isso vai ser complicado. Estou muito preocupado com isso e também claro que pode ser outra doença... Queria saber se tem como você dar um desconto lá na clínica???? ou poderia me responder qual vitaminas devo tomar???? aguardo resposta... muito obrigado