.:. PAULO RODARTE - CRÔNICAS .:.RÔNICAS
• 10/12/2009
PODERIA ACONTECER COMIGO (OU COM QUALQUER UM DE NÓS)

Casualidade, e causalidade. Palavras que destoam no significado por uma simples interposição de letrinhas, que a fazem distintas, completamente diversas. A primeira indica eventualidade, que pode ou não acontecer, depende do acaso. Já a segunda, que tem o u como terceira letra, indica relação causa e efeito, sem nada a ver com a parenta, nem de longe aparentadas.

E o que poderia acontecer, segundo o titulo diz? Tudo pode acontecer, quando se escolhe uma certa profissão, difícil de ser aprendida, concorrida carreira que escolheu o branco como cor. A ela somos chamados por um chamamento. Muitos que a experimentam são filhos de outros profissionais similares, filho de peixe, peixinho fica. Aquela profissão não é fácil de ser conquistada. De todas é a mais procurada, e, quando não se tem a sorte de passar no vestibular de uma escola do governo, pobres pais! Os futuros profissionais têm de se desdobrar. Sobre livros bem gordos, muitos nem falam português, sobre cadáveres de quem nem se sabe a identidade, passando noites insones para aprender como tratar males do corpo, trocando o dia pela noite para cuidar de dissabores, escutando dores, esquecendo-se das próprias, fazendo plantões parcamente remunerados, e depois, com o canudo no bolso, outro vestibular espera, aqueles jovens médicos cheios de ideais. Um profissional das doenças não pode enfrentar a lida sem se dizer especialista. Um diploma geral é muito pouco para entender a complexidade do corpo. Um corpo nasce com um cérebro, que pensa, sofre, comanda o que vai por baixo. E o profissional que escolheu tratar todo o conjunto não consegue vislumbrar nem a metade. Assim nascem os neurologistas, dermatologistas, cardiologistas, pneumologistas, cirurgiões gerais, e seus parentes mais especializados: urologistas, vasculares, médico dos tumores, otorrinos, etc e tal. Muitos médicos se arriscam e vão ao interior, sem muita ajuda, imbuídos de um caminhão de boa vontade, pensando que são capazes de desafiar as doenças, e restabelecer o sorriso nos lábios de quem tem dor.

Assim aconteceu a um jovem médico, nascido em uma família sem posses, de muito caráter, que conseguiu um diploma às custas de muito suor. Aos trancos e barrancos saiu vencedor, fazendo da cirurgia geral e da obstetrícia um caso de amor. Não quis ir para a capital, pois na roça foi criado, até a idade de se fazer doutor. Foi ser médico do interior, tratando de dor de barriga, lombriga, furúnculo e tuberculose, e até mordida de cobra fez parte do seu pendor. Nas horas vagas operava apendicite, fimose, e até de traumas mais graves sabia lidar. Fazia partos com rara competência, e quando a situação complicava tirava o filho do útero da mãe, aplicando ele mesmo a anestesia raquidiana, pois não encontrava o anestesista. Anos e anos passou nesse batente, sem descanso, vendo o sofrimento dos  outros, sem se importar com o próprio. Tudo ia bem, como Deus quis, até quando aconteceu aquela fatalidade.

Era uma noite escura, das tantas que o sono não podia acontecer. Foi chamado para intervir numa parturiente, em segundo parto. Tudo parecia normal. Mas o filho embirrou de nascer. Decidiu-se por uma cesárea, e onde conseguir anestesista? Como a situação clamava por urgência, ele mesmo anestesiou. Teve como ajudante de cirurgia uma enfermeira idosa, de pernas bambas e vista embaçada. A operação foi um sucesso, fora a criança, que já estava morta. Os pais aceitaram de boa vontade a notícia. Até que entrou na dança um advogado, amigo falso, melhor, da onça. Meses depois o pobre esculápio, dedicado profissional das doenças, recebeu uma visita que mudou sua vida. Era o oficial de justiça, aquela “mala sem alça”, com uma intimação malcriada. Segundo consta no processo, ele, médico calejado na lida, era acusado de imperícia. A família, orientada pelo mesmo advogado amigo, o levou às barras dos tribunais. Era o começo da derrocada de uma carreira cheia de lutas, lágrimas, noites insones, sem dinheiro no bolso. Um único insucesso, virtual que foi, levou àquele médico ao martírio. Foi crucificado em vida. De tantas idas ao tribunal, de tanto gastar com advogados, perdeu a coragem que antes tinha. Não mais conseguia encarar o nascimento de outras crianças, sepultou a obstetrícia. Perdeu a destreza manual, tremia ao usar o bisturi. Não mais saía às ruas com vergonha do que dele diziam. Começou a beber, não mais socialmente. Foi aí que aconteceu a perda da família. O dinheiro não mais entrava. O consultório fechou. Um palmo de chão, fruto de muitos anos de economia, foi para as cucuias. A depressão o atormentou. O médico do interior contraiu uma doença crônica, de tanta preocupação com a denúncia. Foi absolvido em primeira instância, mas aí já era tarde. Só, sem consultório, sem renda, sem bisturi, sem sono, sem coragem de enfrentar a profissão de cirurgião e obstetra, foi pouco a pouco se convertendo em prisioneiro dele mesmo, com vergonha de enfrentar a dor dos outros. Aquele profissional das doenças, agoniado por um processo leviano e infundado, acabou de ser doutor. Até hoje ele paga caro o único erro que cometeu, o de ser médico, operador...

Depois de tantos casos denunciados por erro médico, pensei no deste colega, que é igual a tantos outros país afora. Ele poderia acontecer comigo, ou com qualquer um de nós, que tem a ventura de estudar medicina...


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Caro doutor, 4 dias atrás meu pênis inchou e ontem começou a aparecer tipo de um caroço atrás da "cabeça" no corpo do pênis mesmo... Fiquei preocupado e liguei para clínica UROLITO para saber o preço de uma consulta e a atendente me falou que era R$150,00... Quase cai de costas pois estou desempregado e não tenho renda fixa... Andei lendo na internet e o mais próximo do meu problema foi uma doença chamada de "Doença de Peyronie" e vi que não tem tipo um tratamento adequado... O máximo a fazer é indicar vitaminas ao paciente e observar, mas pagar R$150 reais pra você me dizer isso vai ser complicado. Estou muito preocupado com isso e também claro que pode ser outra doença... Queria saber se tem como você dar um desconto lá na clínica???? ou poderia me responder qual vitaminas devo tomar???? aguardo resposta... muito obrigado