.:. PAULO RODARTE - CRÔNICAS .:.RÔNICAS
• 06/01/2010
A MORTE DO ZEBRÃO

“O homem leva na língua a peçonha e numa das mãos o punhal” (Antonio Russi).

Com os peixes não acontece o mesmo. Pois os tais apenas usam a língua para colher a comida, uma raçãozinha que bóia, mesmo sem saber nadar.

Quem teve um cão, não há de preferir um peixe. Pois peixes são seres ditos burrinhos, que aparentam desconhecer o dono, não se afeiçoam a nós, não comem na nossa mão, nem latem de felicidade, ou de saudade, nem sujam a casa, quando não ensinados, muito menos são adestrados. Peixes são de outra espécie. São eminentemente nadadores, e não sobrevivem à falta de água. Exibem inúmeras vantagens sobre os cães. Não incomodam com seus grunhidos, não defecam na sala de visita, não precisam ser levados ao salão para cuidar da higiene, não se afeiçoam, e, no caso da morte, como acontece a um cão, não ensejam lágrimas de dor, pois peixes são reles seres molhados, não são considerados filhos, e dispensam funeral, pois, caso deixados no próprio aquário, viram pasto dos outros colegas - canibais.

Eu já tive cães. Hoje não mais os tenho. Um deles, se bem me lembro, foi o mais amigo. Ao me mudar de casa, da outra antiga, para um condomínio, ele se transformou em cão de rua. Como havia se acostumado a viver dentro de casa, e não aprendeu a fazer as necessidades no canteiro de margaridas, ou num lugar mais adequado, na morada nova ele foi simplesmente deixado num corredor. Local preparado com todo carinho para recebê-lo como filho ilustre. Que ele o era. Uma casinhola novinha foi comprada. Uma almofada foi recheada para que ele não sentisse a dureza do duro. Vasilhas novas foram encomendadas. Até a ração foi mudada. Não importava o preço. Mas ele queria ficar perto dos donos. Dentro da casa nova. Para nos acordar com suas macaquices de moleque adulto. De manhã, antes das seis, ele tentava subir em nossa cama. Não permitíamos. Mas, para alegria dele, tão logo saíamos de cena, ele se aboletava em nossos lençóis macios, e dormia um último soninho. Deixando vestígios de pêlos da sua dormida.

Um dia ele fugiu. Cansou de ser um estrupício, e de ser deixado como um filho não desejado, sem poder ficar dentro da própria casa. Construída com todo o conforto. Ainda o vi na partida, sem abanar o rabinho, sem ao menos olhar pra trás, e deixar com seu dono uma despedida. Ele havia experimentado o olho da rua. Virou a casaca. Foi ser cão vadio.

Depois da sua sumida voltei os olhos para um novo amigo. Um amigo que nasceu dentro dágua. Exímio nadador. O Zebrão passou a ser para mim o Willie. Um Willie sem pêlos, sem cheiro de cachorro molhado. Sem ser um latidor de mancheia. Ao peixinho de aquário me afeiçoei. Como se fora possível se afeiçoar a um peixinho.

Era um amor diferente. Sem cobranças, sem afagos, sem beijinhos. Quando chegava ao meu ponto de trabalho eu o via nadando serelepe junto à parede de vidro. Ele tinha uma particularidade. Era inamistoso. Arredio. Não gostava de outros peixes junto a ele. Preferia o aquário enorme só pra si. Até o percebi com um indigesto defeito. Ele era adepto do canibalismo. Adorava comer outros peixinhos menores, que eram atirados com esta predestinação à sua piscina de águas tépidas, borbulhantes. Uma lagostinha aquariana, tartaruguinhas preguiçosas, tilapinhas caipiras, lambaris selvagens, todos lhe serviram de pasto. E ele crescia a olhos vistos. O dono do pedaço.

Seis anos se passaram. Desde então. Como médico que se preza, não o deixava por muito tempo só. Um fim de semana. Três dias. Quatro. No máximo. E quando voltava do breve feriado, ele me recebia com aquela carranca malvada, fazendo de conta que arreliava comigo. Tratava dele como tratava do Willie. Menos. Mas aquele animalzinho de gênio ruim tinha hábitos esdrúxulos. De quando em quando atacava o borbulhador de oxigênio, atitude que interpretei como tentativa de suicídio.

O Zebrão resistiu por longos anos. A dezenas de trocas de água, às mudanças de temperatura. À solidão do seu aquário. Nunca soube se ele era macho ou fêmea. Ele se bastava.

Até que um dia, de fatídicas recordações, eu voltei de uma viagem longa. Foram dez dias de ausência. Senti-lhe a falta. Não deu pra saber se ele sentiu a minha. Pois, ao voltar da viagem longe, no consultório ele não estava. Soube pela boca de terceiros que o Zebrão morrera. Um zootécnico amigo tentou ressuscitá-lo, e não conseguiu. O meu peixão querido, de tantas recordações, morreu sem se despedir de mim. Melhor pra ele. Pior pra mim...


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Caro doutor, 4 dias atrás meu pênis inchou e ontem começou a aparecer tipo de um caroço atrás da "cabeça" no corpo do pênis mesmo... Fiquei preocupado e liguei para clínica UROLITO para saber o preço de uma consulta e a atendente me falou que era R$150,00... Quase cai de costas pois estou desempregado e não tenho renda fixa... Andei lendo na internet e o mais próximo do meu problema foi uma doença chamada de "Doença de Peyronie" e vi que não tem tipo um tratamento adequado... O máximo a fazer é indicar vitaminas ao paciente e observar, mas pagar R$150 reais pra você me dizer isso vai ser complicado. Estou muito preocupado com isso e também claro que pode ser outra doença... Queria saber se tem como você dar um desconto lá na clínica???? ou poderia me responder qual vitaminas devo tomar???? aguardo resposta... muito obrigado