.:. PAULO RODARTE - CRÔNICAS .:.RÔNICAS
• 02/02/2010
"AONDE EU VOU AMARRAR MINHA ÉGUA?"

Inda me lembro, menino desapetrechado das horas, de quando contava nos dedos de uma só mão o tempo que restava para chegar dezembro, benditas férias de fim de ano, tempos saudosos, que ainda hoje me comovem o coração. 

Naqueles idos de antes as últimas provas eram o derradeiro obstáculo à felicidade plena. E, caso ficasse em recuperação, tirava de letra a encomenda, estudava um cadinho mais, pra antes que o mês predileto dissesse adeus ao ano moribundo, que morria sem comoção.

Janeiro, mês apático, cores de férias, lá ia eu todo faceiro, mochila às costas, pensamentos rasteiros, rumo ao pedaço do paraíso, a fazenda de um tio já falecido, que levou com ele os restos de uma mocidade perdida, que infelizmente não volta jamais.

Eram trinta ou mais dias de puro enlevo. Leite no pé da vaca, que por vezes soltava urina justamente quando levava meu copo com um naco de açúcar no fundo, mas eu me esquivava, levava o copo à boca, que deixava nos lábios um bigodinho branquinho, da cor da minhalma de criança.

Eram indeléveis folguedos. Cavalgada em pelo, que deixava nos fundilhos um azedume que só passava no dia seguinte, depois de um banho de cachoeira.

Nos tempos de hoje as férias mudaram. Ou mudaram as crianças? Que nem sabem mais de onde sai o leite, acostumadas às gôndolas do supermercado, onde o mesmo leite custa os olhos da cara, o dobro do que recebe o pobre dono da vaca.

Hoje, tempos idos, criança deixada na lembrança do passado, adulto feito, sonhos desfeitos, de novo voltei à roça.

É uma roça diferente.  Envelhecida, pobre, falida, quase um amontoado de escombros.

Ali, naquelas estradas poeirentas, quase não via vivalma. Os donos ali nascidos não tinham  quem lhes continuasse a lida. Os filhos se foram pra cidade. Os netos ignoravam de onde nascia o leite. Os meninos de agora pensam que o ovo é colhido na gôndola do supermercado.

Foi num domingo de janeiro, sol miúdo e companheiro, que um dia fui ter à roça. Chovera a noite de ontem. O milho, um mês de nascido, fazia brilhar seu verde folha na planura de uma colina. Tudo respirava beleza. Algumas vaquinhas de boa cepa exibiam orgulhosas os seus bezerros. Galinhas caipiras tentavam juntar suas crias, antes que o bicho do mato nelas metesse as garras.

Tudo estava vazio. Parecia um cenário fantasma, naquele arremedo de chão.

Antes que pegasse o caminho de volta, triste, desconsolado pelo abandono do campo, encontrei um antigo compadre. Ele ia com sua égua, costelas à mostra, arreio em petição de miséria, rumo à cidade perto. Naquelas  plagas queridas, de tantas recordações, ele não mais conseguia o sustento, nem da família que se havia bandeado pra cidade longe. Na roça só ficou a solidão. De um passado tão rico, de tantas histórias felizes, de um tempo de aluvião.  

Hoje o vi na cidade. Perdido, sofrido, como um peixe fora dágua. Ainda com sua égua de boa marcha, costelas à mostra, faminta da roça. O pobre atravancava o trânsito, sem ter onde estacionar a montaria, mostrando a todos a sua agonia, ao visitar a cidade. Ali não era o seu lugar. Mal conseguia apear. Os carros zuniam a sua volta. Não tinham tempo para a ele esperar.

Um mês se passou. O milho penduou, a vaca deu cria, a galinha virou canja. E o meu compadre, apeado da mocidade, de volta ao seu palmo de chão, só, enfermo, sem onde cair morto, me disse, olhos banhados em lágrimas: “ só me resta ficar por aqui. Pois a cidade, pra onde eu ia comprar algumas coisinhas, não me quer mais. Nem a minha égua tenho onde amarrar. A pressa, a cidade inquieta, não me quer por lá”...

Hoje o meu compadre finalmente descansou. Foi enterrado embaixo da mangueira, bem perto da jabuticabeira, de onde jamais quis se afastar...


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Caro doutor, 4 dias atrás meu pênis inchou e ontem começou a aparecer tipo de um caroço atrás da "cabeça" no corpo do pênis mesmo... Fiquei preocupado e liguei para clínica UROLITO para saber o preço de uma consulta e a atendente me falou que era R$150,00... Quase cai de costas pois estou desempregado e não tenho renda fixa... Andei lendo na internet e o mais próximo do meu problema foi uma doença chamada de "Doença de Peyronie" e vi que não tem tipo um tratamento adequado... O máximo a fazer é indicar vitaminas ao paciente e observar, mas pagar R$150 reais pra você me dizer isso vai ser complicado. Estou muito preocupado com isso e também claro que pode ser outra doença... Queria saber se tem como você dar um desconto lá na clínica???? ou poderia me responder qual vitaminas devo tomar???? aguardo resposta... muito obrigado