.:. PAULO RODARTE - CRÔNICAS .:.RÔNICAS
• 17/02/2010
NÃO SE AMOFINE MEU FILHO, UM DIA VAI MELHORAR...

Um dia experimentei andar. As pernas doíam nas primeiras voltas do entorno. Tudo por causa de uma subidinha “maneira”. Que, com persistência e esforço, depois se mostrou “besteira”. Passados tempos de andanças comecei a correr. Corria devagarzinho, como uma tartaruga com a perna torta. As pernas suavam. O corpo tremia. Depois de tempos naquela atividade acostumei-me a correr. E quando não corria sentia falta, e as pernas pediam para se movimentarem. Comecei a correr na esteira, aquele aparelho de academia, que se move à vontade do freguês. Depois, como me havia acostumado ao movimento, entendi que era hora de correr no asfalto. No duro chão de cimento. Corria no entorno do meu bairro. Um bairro ensombreado, ornado de árvores e flores, com arbustos gentis. Dava uma voltinha de faz-de-conta pelo perímetro urbano do condomínio. Depois a voltinha trôpega esticou em tamanho e velocidade. Virou meia maratona, daí, à maratona inteira.

No começo da vida de atleta as dificuldades eram tamanhas que pensei em desistir. Superei meus limites. Tornei-me meio atleta. E depois comecei a correr de madrugada, acompanhando as corujas que saíam do poleiro, vendo os gatos passarem lépidos em busca de camundongos, assistindo de queixo caído aos entregadores de pão deixando os saquinhos de frente às casas adormecidas, concorrendo com os seguranças que vigiavam o casario. Correndo de madrugada, recebendo o frescor da brisa que me assoprava a cara, superei mais uma dificuldade. Alargaram-se meus limites. Descobri-me tri atleta, fora a bicicleta, que não me fazia parte do currículo.

Pensando nas dificuldades que me atropelavam de início, sofismo sobre o filho que volta pra casa, depois de receber o “canudo”.

Era um menino bem nascido. Com “aquilo” voltado pra lua. Teve uma infância feliz, muito embora, a princípio, recusasse ir para a escola. Talvez por ser um tanto imaturo. Logo que subiu a escada da vida, aos sete anos percebeu um pendor. Era um atleta de raro talento, prodígio com uma raquete de tênis na mão. Mas na vida de atleta pouco durou como profissional. Ainda me lembro, anos avoam, quando ele estava tentando ser jogador de tênis, nas terras do Tio Sam, e eu lhe perguntei ao telefone: “meu filho. Você tem chances de se dar bem no tênis? Poderia ser profissional?” Foi quando dele ouvia a resposta que não queria escutar: “não pai, a carreira é muito espinhosa”.

Ele trocou as raquetes pela carreira advocatícia. Fez-se um “baita” profissional do direito. De advogado togado entrou para a pós-graduação. Sua monografia foi premiada, inspirada como as crônicas do pai. Concluída a pós veio para a sua cidade. Onde nasceu, deixou amigos, e namoradas, que não deram em nada. Era seu sonho de menino, que um dia cresceu. Afinal, depois de ralar a bunda numa cidade grande, veio de novo a casa dos pais. Que era o seu ninho. Era com o que sonhava desde os primeiros passinhos mancos.

Ele voltou, como um filho pródigo. Não com a mesma história. Voltou meio que sem jeito, arredio, tentando mostrar serviço. Não era fácil de dele se aproximar. Uma história de amor começa bem. Mas uma história profissional, de um jovem advogado, num mercado de saco cheio, não é tão fácil de decolar.

Um mês se passou desde a sua volta. Não foi um retorno triunfal. Foi trôpego, macambúzio, coisa e tal.

Durante a comida ele não se manifestava. Ficava amuado a um canto, evitando prosa. A noite evitava nosso contato. Por falta de ânimo.

Também pudera. Um jovem de talento, buscando seu vôo solo, fica ávido por mostrar aos pais a justificativa do investimento. Foram anos e anos de pagamentos, mensalidades da escola, despesa com a moradia, roupas, lazer, entretenimento. E ele voltou pra casa tentando mostrar serviço. Não o serviço que podia ser dito com as raquetes, pois, o tênis, quem saca faz o serviço.

Nos primeiros meses a profissão não o abençoava. Eram parcos os recebimentos, minguados os serviços. Um advogado novato precisa mostrar, além de talento, um carisma, um fazer de conta que tudo ia bem. O que na verdade não ia.

E, o rapaz, feito adulto, cada vez mais voltava do trabalho com a mão na frente e outra atrás. Pensando no que poderia ganhar, depois de tantos anos de sacrifício. Dele e dos pais.

Um dia o percebi desanimado. Mais ainda arredio, desassossegado. Dois meses voaram. E nada de ele decolar. Era impossível de dele tirar qualquer manifestação de júbilo ou alegria por uma conquista. Eu, como pai, sensível aos anseios de um filho, temia por seu futuro. Temia por sua felicidade.

Era uma manhã de quarta-feira. Quente, de um outono seco. Nada de chuva no ar. Ao sair de casa ainda bem cedo, com as maritacas empoleiradas na copa das árvores, percebi meu filho dormindo. Deixei ao lado da sua cama um bilhete. Com os seguintes ditos: “não se amofine, meu filho. Um dia, vai melhorar”.


.:. PAULO RODARTE - IMAGENS .:.
.:. PAULO RODARTE - CONSULTÓRIO VIRTUAL .:.ONSULTÓRIO VIRTUAL
Caro doutor, 4 dias atrás meu pênis inchou e ontem começou a aparecer tipo de um caroço atrás da "cabeça" no corpo do pênis mesmo... Fiquei preocupado e liguei para clínica UROLITO para saber o preço de uma consulta e a atendente me falou que era R$150,00... Quase cai de costas pois estou desempregado e não tenho renda fixa... Andei lendo na internet e o mais próximo do meu problema foi uma doença chamada de "Doença de Peyronie" e vi que não tem tipo um tratamento adequado... O máximo a fazer é indicar vitaminas ao paciente e observar, mas pagar R$150 reais pra você me dizer isso vai ser complicado. Estou muito preocupado com isso e também claro que pode ser outra doença... Queria saber se tem como você dar um desconto lá na clínica???? ou poderia me responder qual vitaminas devo tomar???? aguardo resposta... muito obrigado