.:. PAULO RODARTE - CRÔNICAS .:.RÔNICAS
• 24/03/2010
NO BICO DO URUBU

Um dia percebi um urubu estatelado no asfalto, tão arraigado àquele piso escuro como lhe era o corpo, que só quando nele bati os olhos concluí que aquela massa disforme era de fato um urubu. Foi então, durante a passagem rápida por aquele incidente, que pude imaginar qual havia sido o destino da pobre ave de rapina. Ela, depois de apreciar um banquete de carniça, tal lhe era a fome, e falta de atenção, que veio um auto em velocidade, abocanhou com as rodas possantes o corpo da ave infeliz. Foi um baque surdo, sem dó nem piedade. O urubu feito carniça, estatelado, nem ao menos atraiu o apetite dos seus colegas. Pois nem urubu come urubu.

Daquelas aves agourentas ninguém se condói de saudades. Muito menos pensa em criar um urubuzinho filhote numa gaiola, pois urubu não canta, não tem beleza na plumagem, muito menos tem por dentro uma carne apreciada.

Mas numa coisa todos concordam. Urubu prenuncia a morte. Com seus olhos de lince, com seu vôo magnífico, sem ao menos agitar as asas, pois vôo de urubu aproveita o açoite dos ventos.

Eu mesmo renegava os urubus. Até que me morreu uma vaca, distinta personalidade que vivia em minha roça. Ela morreu de idade. Depois de tantas crias e amar o mesmo boi, que lhe deixou bezerros que viraram vacas novas. Ao morrer a tal vaca morta pensei em lhe fazer um enterro decente. Não sabia se a jogaria no brejo, onde ela quase morreu atolada. Ou se mandaria o carro funerário levá-la embora. Foi então que apareceu o tal urubu, olhos atentos, que em família me pediu um presente. Que deixasse as sobras da minha vaca à sua mercê. Foi um banquete do qual não participei, pois não me apetece churrasco em companhia tão insólita.

Um dia de segunda-feira, quase véspera da hora do almoço, eis que de novo fui a um posto de saúde, onde as doenças são o manjar do dia.

Estava um dia de sol inclemente. Poucas vivalmas se atreviam por sob o calor do meio dia.

Naquele dia, começo de semana, um cadinho de gente de boa índole aguardava a hora do atendimento.

Depois de escutar e auscultar uma dúzia de queixosos, chega a vez de uma pessoinha importante.

Era uma velha conhecida, aliás, duas, embora a irmã, naquela segunda – feira, tinha se ausentado por culpa de outra doença.

A pobre rapariga, que não era tão velha quanto a aparência dizia, desfilava à minha frente um inventário de enfermidades. Ela sofria de artrose, osteoporose, lupus e pedra nos rins, hipertensão maligna, coração inchado, havia sido operada de câncer, e ainda por cima exibia na coluna manca uma enorme escoliose. Quando a pobre assentou-se perto de mim, e me pediu encarecidamente que lhe transcrevesse duas centenas de exames, rabiscasse duas dúzias de remédios, com aqueles olhinhos tristonhos como pardal que perdeu o filhote, não tive como recusar-lhe o pedido. Passei quase duas horas assinando folhas e mais folhas brancas, que depois ficaram encardidas de tanto uso, ouvi-lhe os queixumes da irmã mais nova, que na noite de ontem se internara no CTI à beira da morte, e, não bastante o calor que uivava lá fora, ainda tive de passar tudo a limpo, como se fosse possível passar a limpo toda a infelicidade de duas irmãs continuamente enfermas, desde a mais tenra idade.

Ela saiu como um sopro doente da cadeira da minha sala. Saiu, não sem antes me agradecer pela paciência, já que o nosso colóquio durou mais de duas horas.

No dia seguinte, preocupado com a saúde das duas irmãs consultantes, passo por uma rua da periferia. Era ali que moravam as duas irmãs, pobres sofredoras, repositório de centenas de doenças, todas de suma gravidade.

Perguntei onde moravam as duas irmãs. Mas nem foi preciso alguém para me satisfazer a curiosidade. No alto, no céu azul de uma terça-feira, dia ainda quente, e sombria, voavam urubus, arautos da morte.

Depois há quem não aprecie os urubus. Eles são feiosos, repulsivos, maquiavélicos, desprovidos de qualquer beleza. Mas, convenhamos, onde pode existir beleza quando se fala de morte?


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Caro doutor, 4 dias atrás meu pênis inchou e ontem começou a aparecer tipo de um caroço atrás da "cabeça" no corpo do pênis mesmo... Fiquei preocupado e liguei para clínica UROLITO para saber o preço de uma consulta e a atendente me falou que era R$150,00... Quase cai de costas pois estou desempregado e não tenho renda fixa... Andei lendo na internet e o mais próximo do meu problema foi uma doença chamada de "Doença de Peyronie" e vi que não tem tipo um tratamento adequado... O máximo a fazer é indicar vitaminas ao paciente e observar, mas pagar R$150 reais pra você me dizer isso vai ser complicado. Estou muito preocupado com isso e também claro que pode ser outra doença... Queria saber se tem como você dar um desconto lá na clínica???? ou poderia me responder qual vitaminas devo tomar???? aguardo resposta... muito obrigado