.:. PAULO RODARTE - CRÔNICAS .:.RÔNICAS
• 05/04/2010
"ARMÔ, E NADA ASSUCEDEU"...

Nem tudo que sobe, desce. Nem tudo que reluz é ouro. Nem todos que sofrem padecem. Nem tudo que parece, é.

Nem tudo que arma sobe. Mas a “arma” do meu amigo Nelson, que não era garrucha ou faca de fio afiado, com o tempo mancando, com os anos se despetalando, acabou por enferrujar. Acontece que de pequeno, aquilo que meu compadre escondia a sete chaves, a não ser da galinha fogosa, sua primeira prenda, que se fez rameira antes mesmo de se submeter ao galo, um belo dia aconteceu um acidente. Foi num domingo inconseqüente, quando o amigo Nelsinho, ainda menino engomadinho, xodó da mãe e do pai, foi à missa das dez. Era um dia quente e úmido. Na noite que antecedeu o domingo da páscoa, aquele da missa do padre novo, o Nelsinho dormiu e teve um sonho erótico. Sonhou com a priminha de pernas grossas, ancas ainda sem muita expressão, boquinha feita a compasso, e sorriso que levava qualquer um a combustão. Sonhou e acabou poluindo o lençol de linho branco com uma mancha amarela, sobre a qual jurou a mãe, beata donzela, que aquilo foi o resultado da coriza emergida do seu nariz gripado.

Logo que o dia clareou o moleque, que menstruou na cama, ou, melhor dizer, teve uma polução noturna, foi a penumbra do banheiro o lugar elegido para uma punhetinha costumeira, tendo a mesma priminha safadinha como musa inspiradora.

No frenesi do ato tresloucado, tendo nas mãos ávidas por estimular o ato que não era sexo, o “pinto que não piava”, eis que aconteceu um acidente inusitado. Acontece que do pinto do Nelsinho, logo no início do ato masturbatório, brotou uma gotinha de sangue vermelho. A gotinha, até que simpática, se converteu em uma enxurrada rubra que nem tomate espremido. 

Não fosse pela pronta intervenção do doutor do lugarejo o pobre pinto do Nelsinho hoje seria um pinto morto, ou meio pinto, pois naqueles casos tinhosos talvez fosse indicada uma amputação.

O Nelsinho cresceu. Virou Nelson feito, caboclo de corpo perfeito, um verdadeiro garanhão.

Diziam nas redondezas que o Nelson gente grande era o furor do pedaço. Não havia fêmea que não lhe houvesse experimentado o assanhamento. Na lista maiúscula não ficou de fora a galinha que botava ovos gigantes, a porquinha que por ele se enrabichava todinha, a égua, que de coiceira pros outros, pra ele logo beirava o cupim, e até a novilha vermelha pra ele abanava o rabicó.

Isso sem contar nos dedos as poucas donzelas que, felizmente, não tinham um pai uma fera. Sobre uma delas foi escrito, que, depois de uma relação tumultuada, num capinzal da invernada, a pobre mancou. Mancou por dias a fio, mas nunca lhe conseguiram tirar o sorrido do canto da boca, sinal de prazer redivivo.

Assim o Nelson andava, de garupa em garupa, de déu em déu, pulando cercas, de escapadela em escapadela, fugindo do marido cornuto.

Um dia assucedeu o sucedido. Na pressa de arrumar o fecho da calça, depois de uma tentativa heróica de pular a cerca, eis que o “bilau” do Nelson enganchou no fecho éclair.

Foi o mesmo doutor que o havia salvado de antes, que conseguiu mais uma proeza importante. Descosturou o zíper da braguilha errante, sem ao menos resvalar no famigerado órgão que não sabia tocar nem Ave Maria.

Fui visitar o amigo Nelson, agora como urologista provado.

O compadre, nesta altura das andanças, já era um homem rodado, a meio caminho do bico do urubu. Segundo sua carteira de identidade, ele tinha mais idade que a serra que lá de cima me olha, com olhos esbugalhados.

O sol carcomia o verde com voracidade de porco esfomeado. Tudo na roça estava ressequido, esmaecido pela seca inclemente, que deixava os pobres produtores sem dente, a verem falecidas as sementes.

Quando me acheguei da casinha do Nelson o céu estava escuro. Nuvens melancólicas mostravam os dentes, numa banguelice tagarela.

Bati à porta da frente, esperei minutos dolentes, e, por fim atendeu o Nelson. Ele veio com uma infelicidade aparente, evidente, que se lhe cavalgava os dois ombros, como o peão monta na égua tordilha.

Logo depois do amigo Nelson, agora senhor de reputação maculada como o poleiro onde montam duas dezenas de galinhas poedeiras, apareceu na soleira da porta uma frangota encabulada. Era uma senhorinha trazendo nos lábios um sorrido de mofa. Quem lhe examinasse a carinha desconsolada logo saberia do apuro que o Nelson havia passado.

Ele falhara clamorosamente, não conseguiu alavancar o “bilau” nem com reza de Viagra.

Olhei pro céu e vi a chuva dependurada. Não caiu nadica de nada, e a roça continuou entregue às suas mazelas.

Foi quando ouvi da boca do amigo Nelson, agora um senhor sem pendor a conquistas amorosas, uma exclamação que me encheu de pena: “seu doutô! Onte armô e não desceu. Nada assucedeu...”

Olhei pra cima e enfim a chuva se desempendurou. Caiu sorrindo pra todo lado, molhando os pastos, fazendo a alegria das plantas ressequidas. Só que, na vida do amigo Nelson nada aconteceu de novo. Até que um dia um urologista famoso achou por bem fazer sorrir aquele homem brioso, ainda fogoso, embora de farol baixo. Colocou-lhe uma prótese na intimidade do seu órgão mudo. Afinal, para alegria do amigo: armô, subiu, a porquinha grunhiu, a galinha se agachou, a égua encostou, e tudo voltou a ser como dantes...

O Nelson, agora velho e claudicante, sorri por dentro da sua dentadura novinha, que foi esquecida no copo dágua que repousa até hoje no criado mudo da vizinha. Que já passou dos noventa, mas tem o fogo tão quente, páreo duro para ao assanhamento do velho Nelson, meu amigo de sempre...


.:. PAULO RODARTE - IMAGENS .:.
.:. PAULO RODARTE - CONSULTÓRIO VIRTUAL .:.ONSULTÓRIO VIRTUAL
Caro doutor, 4 dias atrás meu pênis inchou e ontem começou a aparecer tipo de um caroço atrás da "cabeça" no corpo do pênis mesmo... Fiquei preocupado e liguei para clínica UROLITO para saber o preço de uma consulta e a atendente me falou que era R$150,00... Quase cai de costas pois estou desempregado e não tenho renda fixa... Andei lendo na internet e o mais próximo do meu problema foi uma doença chamada de "Doença de Peyronie" e vi que não tem tipo um tratamento adequado... O máximo a fazer é indicar vitaminas ao paciente e observar, mas pagar R$150 reais pra você me dizer isso vai ser complicado. Estou muito preocupado com isso e também claro que pode ser outra doença... Queria saber se tem como você dar um desconto lá na clínica???? ou poderia me responder qual vitaminas devo tomar???? aguardo resposta... muito obrigado