.:. PAULO RODARTE - CRÔNICAS .:.RÔNICAS
• 13/07/2010
MORREU UM CISNE BRANCO...

Bem como poderia inserir no título desta crônica outras palavras mais. Assim como: morreu um fidalgo, morreu um obelisco, morreu um poeta que não era poeta, mas sabia escrever coisas bonitas, morreu um pintassilgo que sabia tocar violino, morreu um pianista, que sabia afinar piano, morreu um colecionador de carros antigos, morreu parte maiúscula da história da cidade, morreu meia Lavras, que ficou pela metade, morreu um excepcional pai de família, morreu um avô maravilhoso, morreu um cidadão de escol, morreu um garboso coronel, que nem coronel era, assim como morreu, de tanto fazer cordialidade, um príncipe, um cisne branco, um baluarte, uma bandeira hasteada no lugar mais alto, que se deixa avistar até onde a vista alcança. 

Algumas pessoas deveriam ser proibidas de morrer na quinta ou sexta-feira. Pois, nestes dias de quase fim de semana, eu já enviei a crônica do sábado, aquela que enfeita a minha coluna. Pois, como comanda o Pacceli, aquele homenzinho entendido em letras, o mesmo que faz a revisão dos meus escritos, já mandou o texto à gráfica. E como o velho e bom Paccelli entende de letras! Com seus olhinhos espertos, com sua barba grisalha, ele quase não aparece, como aparece a seriema nos morros da roça. Desculpe meu caro Pacceli, se o seu nome não se grafa com dois eles. Mas, como eu o considero tanto, eu dobro seus elles, como você enxerga dobrado os meus senões.

E por que nomeei cisne ao título do meu artigo? Pois cisnes brancos são os reis da lagoa, as aves mais belas de que se têm notícia. Nada contra os patos ou gansos. Mas ele, o meu personagem que hoje morreu, nem sei se morreu de verdade. Pois poetas, restauradores, pianistas, violinistas, maiúsculos pais de família, não morrem, viram cigarras.

Eu o conheço desde que aqui finquei os pés, com o corpo a reboque. Sabia da sua lhaneza de trato. Sabia dos seus mil dotes de artista. Sabia, e ainda sei, que ele restaurava carros antigos, escreveu livros sobre automóveis, afinava piano, tocava violino, e, ficaria aqui dedilhando estas sandices a tarde inteirinha, sem nunca conseguir enumerar todas as suas qualidades.

Me desculpe, sua querida esposa, valente, apaixonada companheira, por não saber a idade correta do meu cisne branco. Mas, de que vale a idade, em se considerando tantas e tantas coisas boas que ele deixou na cidade?

Ele carregava nos seus carros antigos noivas e noivos, levando-os a lua de mel. Tocava nos casamentos melodias imortais. Tudo com sua fidalguia fidalga, que apenas nos tempos idos se usava encontrar.

Ele, o meu cisne branco, de média a diminuta estatura, e de grande envergadura moral, era pessoa assaz respeitada, aqui e nos arrabaldes.

Ainda me lembro de quando eu, cronista apaixonado pelas gentes da prateleira de cima, quando ele, o cisne branco, depois de um artigo que escrevi neste mesmo jornal, foi até minha casa, chamou pelo interfone, e se apresentou ao porteiro do condomínio como meu amigo. E meu leitor. Ficamos minutos imprecisos a trocar encômios. E como foi bom recebê-lo em minha morada!

Ainda me lembro, dias antes do seu passamento, quando fui visitá-lo em casa.

O cisne branco já estava enfermo, depositado no leito de morte, tendo a adorável esposa e uma filha a velar pelo seu corpinho debilitado.

O seu semblante era sereno. Sua voz funda quase não se podia ouvir. Foi neste dia, mistura de tristeza e emoção, que sua mulher, a mesma que tentei socorrer quando foi atropelada por uma moto em movimento rápido, me disse: “ a vida é um pau de sebo, com  uma nota falsa na ponta.”

Foi então que eu, emoção calcada na garganta, segurando lágrimas desesperadas para não caírem em cascata pelo canto dos olhos, a ela disse: “ o meu amigo cisne não era falso, ao contrário, ele tinha dentro dele a verdade dos verdadeiros, a poesia dos mineiros, a envergadura moral dos grandes homens, que só são grandes homens tendo por detrás uma grande mulher.”

Saí daquela casa dos carros antigos com uma certeza. O meu amigo cisne não viveria muito mais. Melhor pra ele. Pior pra nós.

Hoje, oito de abril, dia que nasceu com uma claridade maiúscula vinda do alto, fui informado que meu amigo cisne avoou pro alto.

Nem ao menos pude ir ao seu velório. Nem estive presente ao seu sepultamento.

Mas, meu querido cisne branco. Tenha certeza, onde estiver, seja reformando seus carros antigos, seja afinando piano, seja tocando violino, seja o que for que estiver fazendo, saiba, de antemão, que Lavras, no dia oito de abril, está incomodamente mais pobre. E mais rico está o céu...


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Caro doutor, 4 dias atrás meu pênis inchou e ontem começou a aparecer tipo de um caroço atrás da "cabeça" no corpo do pênis mesmo... Fiquei preocupado e liguei para clínica UROLITO para saber o preço de uma consulta e a atendente me falou que era R$150,00... Quase cai de costas pois estou desempregado e não tenho renda fixa... Andei lendo na internet e o mais próximo do meu problema foi uma doença chamada de "Doença de Peyronie" e vi que não tem tipo um tratamento adequado... O máximo a fazer é indicar vitaminas ao paciente e observar, mas pagar R$150 reais pra você me dizer isso vai ser complicado. Estou muito preocupado com isso e também claro que pode ser outra doença... Queria saber se tem como você dar um desconto lá na clínica???? ou poderia me responder qual vitaminas devo tomar???? aguardo resposta... muito obrigado