.:. PAULO RODARTE - ULTRA-SONOGRAFIA EM UROLOGIA .:.LTRA-SONOGRAFIA EM UROLOGIA

Eu sou do tempo da Urografia Excretora, da Pielografia Ascendente, da punção das vias urinárias, que ofereciam um contraste seguro, e nos permitiam ver toda a amplitude das vias excretoras, desde a intimidade dos rins, com seus cálices, bacinetes, e a junção pielo ureteral, caminhando mais abaixo pelo ureter nos seus três seguimentos, o alto, o médio e o inferior, local temido pelo urologista, dada a dificuldade de aí remover os cálculos, doídos contendores do pobre paciente litiásico. Concordo que existiam alguns constrangimentos, na feitura da Urografia Excretora. Alguns experimentavam alergia, e não raras vezes exibiam reações, que, via de regra só ficavam na urticária e no mal estar de que o pobre radiologista era solidário. Quando acontecia de não haver contraste, estava indicada a Pielografia ascendente. Um método invasivo, que incomodava um pouco.

.:. PAULO RODARTE - ULTRA-SONOGRAFIA .:.Tempos depois veio a Ultra-sonografia, um dos métodos de diagnóstico por imagem mais versáteis e ubíquos, de aplicação relativamente simples e com baixo custo operacional. No entanto, para não quebrar o encanto, ele se popularizou de tal forma, que perdeu um pouco a confiabilidade, talvez pela queda da qualidade, pois muito médico se atirou a ele, sem o devido treinamento.

O método apresenta vantagens, e desvantagens, como todos os demais exames por imagem. É um método não invasivo. Ou minimamente invasivo. Apresenta a anatomia em imagens seccionais, que podem ser adquiridas em qualquer orientação espacial. Não possui efeitos nocivos significativos dentro das especificações de uso diagnóstico da medicina. Não utiliza radiação ionizante. Possibilita o estudo não invasivo da hemodinâmica corporal através do efeito Doppler. Permite a aquisição de imagens dinâmicas, praticamente em tempo real, possibilitando o estudo do movimento das estruturas corporais.

O método ultra-sonográfico baseia-se no fenômeno de interação de som e tecidos, ou seja, a partir da transmissão de onda sonora pelo meio, observando-se as propriedades mecânicas dos tecidos. A ultra-sonografia tem na física o seu princípio, o deslocamento do som, de nome Ecos, que é a pedra angular deste eficiente exame por imagem. Os morcegos fazem Ecolocalização. Mas não entendem de Ultra-som.

Deixando a física de lado, pois deixei-a de castigo nos bancos escolares, considero a Ultra-sonografia dos Rins e Vias urinárias um privilégio e uma aptidão do Urologista, pois ninguém melhor do que ele tem experiência com os órgãos afins, pois ele já operou o Rim, removeu cálculos, enfrentou tumores, drenou hidronefroses, abscessos empestaram o bloco cirúrgico com seu hálito putrefacto, removeu rins para a sorte dos pacientes com dois, e, principalmente, considerando-se a próstata, tem na ultra-sonografia seu pomo de Adão. Mas a bexiga não escapa do assédio da ultra-sonografia. Ela é um órgão cavitário, que quando mostra tumores, o diagnóstico fica rápido, quase tão preciso quanto à cistoscopia.

A Ultra-sonografia passeia com facilidade pelos cálculos, tanto no rim, como nos ureteres, apesar de que em certos trechos ele fica escondido. No rim o cálculo se mostra bem, com sua sombra acústica posterior. Na bexiga, acontece igual. Mas, como urologista experimentado, advogo a idéia de conjugar o Ultra-som com uma boa radiografia simples de abdome. As dilatações das vias urinárias são uma boa indicação da Ultra-sonografia. Bem como o crescimento da próstata, com suas áreas hipoecogênicas, que sugerem tumores, sítios de biópsia. A bolsa escrotal também pode ser investigada pelo exame de ultra-som. Muito embora tenham exagerado na indicação, pois uma boa palpação muitas vezes sela o diagnóstico presumível. Um Doppler pode ser de ótima valia, na definição entre torção de cordão espermático e processos inflamatórios.

Mas a punção biópsia da próstata é o filão da Ultra-sonografia. O método mata a cobra e mostra o pau. E ainda aponta certeira para as áreas onde se deve fazer a punção, além de uma medida aproximada do volume prostático. Um valioso auxílio que incrementa o arsenal do urologista.

Passando um rabo de olho por tudo que foi escrito, a Ultra-sonografia é um método confiável, fácil e de baixo custo, sem contra indicações importantes, fora a qualidade, que sempre deve ser aperfeiçoada, estando o Urologista sempre afeito a cursos e treinamentos. Os cálculos renais podem ser investigados. Os tumores e cistos podem ser distinguidos. Os tumores de bexiga são de fácil identificação. A próstata, vaidosa senhora, não escapa aos olhos argutos do Ultra-sonografista. Os testículos são quase externos, fáceis de palpar, mais fáceis ainda de se ver ao Ultra-som. Os ureteres por vezes se escondem. Mas, caso forem dilatados, melhora a procura. Os ureteres, quando desembocam junto à bexiga, se prestam ao diagnóstico. E o pênis, podem perguntar? Ele, não precisa de Ultra-som. E sim, de amar...

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