Para que meu português escorreito não me deixe escrever errado, reescrevo a vocês a forma correta de escrever cumichão, melhor grafar comichão. Qual seja prurido ou aquela coceirinha na sola dos pés que nos faz perder o resto de nossa seriedade já bem pequenininha. Um tiquinho dela, um reles grãozinho de areia branquinha que morava na prainha, mas as ondinhas levaram ao fundo do mar.
Os pruridos podem ter causas indefinidas.
Seja por uma micose causada por fungos que tanto pode se instalar na planta dos pés ou entre os dedos das duas mãos. Ou até mesmo naqueles lugares perdidos no meio do nada num vazio imenso. Uma das causas pode ser emocional quando uma ansiedade não explicada toma por inteiro a cabeça da gente. Ou até mesmo quando um desses fungos passa a morar, por amar aquele calorzinho umidinho dentro de nossos pezinhos que nem podem respirar o ar puro das manhãs dentro de um par de tênis que só falta andar sozinho.
E as coceiras, pruridos ou comichões não param por aí nem por aqui.
Quem ainda não acordou de manhãzinha numa rocinha perdida no fim do mundo aonde quem chega diz logo ao dono delazinha: “adonde vim chegar? Estava andando pela estrada afora sem desaforar a ninguém. Batendo pernas e dando um enorme cansaço aos pés até errar o caminho e vim devagarinho chegar a esse lugar. E agora José, não sei se esse é seu pre nome. Que bem poderia ser Antonho ou Felizbino. Pronde nois vai vortá memo”?
Outra coceira que provoca na gente ótima sensação de desconforto, não tem coisa melhor que andar de pés descalços na terra macia molhada por uma chuvica mansinha nma tarde fagueira entre as bananeiras de um bananal qualquer. E depois de chegarmos a nossa casa, suados e fatigados, sentir na planta de nossos pezinhos um cumichão gostoso. E coçando aqui e bem na planta dos pés de onde vem bem fedido o chulé. Na tentativa gloriosa de descobrirmos, depois de intensa procura usando uma lupa de aumento , admirando criteriosamente uns bichinhos pretinhos morando ali sem pagar aluguel nem pedindo por favor que nos deixem viver amistosamente. E voismeceis sabem o nome daquelas pessoinhas invasoras miudinhas? Eles são batizados de Pulgas Tungas Penetrans ou os famigerados Bichos de pé.
Já eu tenho sido molestado de tempos pra cá de um comichão sem igual.
Como já deixei escrito mais de umas duzentenas de vezes: ando mais que notícia ruim ou canela de cachorro vadio cavoucando sacos de lixo nas ruas em busca de comida para saciar a fome deles.
Não tenho o costume de andar descalço. Se o fizesse a solinha dos meus pezinhos fininhos não iriam suportar a dorzinha miúda que as pedrinhas da minha rua iriam provocar dodói e machucadinhos em minzinho.
Daí uso nos meus pés um par de tênis de bom pedigree e dentro dele um par de meias de onde penso nascer esse odor característico conhecido por bromidrose plantar ou chulé.
E como tem me irritado o tal prurido. De tanto coçar não me alivio. O cumichão aumenta e não invento. Já passei mais de um milhão de cremes anti fúngicos e de nada resolveu e ficou ainda pior. Já pedi a opinião de alguns colegas especialistas em doenças da pele e fâneros e fiquei na mesmice costumeira.
Na manhã de hoje, esse dia lindo que amanheceu nesse doze de maio, resolvi mudar de vida e aposentei de vez pra sempre meu sofrido par de tênis.
Vim pro consultório usando outro pisante. Um velho e não mofado par de sapatos moradores de uma prateleira do meu armário no meu quartinho de dormir.
Espero que o cumichão tenha fim já que teve começo há tanto tempo que nem me lembro de quando foi.
Não existem dúvidas que a coceira provocada por um bicho de pezinho nos da uma sensação extremamente gostosa.
E que coça volta a cocar e a coceira não para.
Mas pra mim sem deudas o melhor cumichão que sinto não é aquele que ainda sinto no solado duro e cosquento da planta dos meus sofridos pés.
E sim, tenho por mim que o maior prazer que me consome foi agorinha mesmo.
Foi nesse momento exato que coloquei um ponto final nesse texto recém nascido hoje.
“Eita cumichão!” Num tem outro igual…