A estrada que não leva a nada

Qual a melhor definição de nada?

Diz e escreve o pai dos burros, que nos dias de agora se chama Google e não mais dicionário.

“Nada é um substantivo e advérbio que denota a ausência absoluta de coisas, vazio ou insignificância. Pode ainda significar coisa nenhuma, quase zero ou ser usada e lambuzada como “de nada”. Quando uma pessoa educada agradece algo que recebeu graciosamente”.

E estrada? Qual seu exato significado? Pra mim e para outros estrada da no mesmo entender que via, caminho, rodovia, rota não arrota de arrotar, trajeto, passagem, vereda e por aí vamos caminhando estrada afora sem ouvir desaforos no seu trajeto.

Veredas é o termo que prefiro chamar a estrada.  Enveredei-me pelo caminho certo. Disse isso a minha mãezinha quando dizia ir à escola, mas de verdade ia mesmo fazer traquinagens na horta de uma tia torta.

Hoje, bem cedinho pela manhã, andando a pé na minha rocinha ( andando a pé penso ser um pleonasmo dos grandes). Bem acompanhado de meus dois amiguinhos o Clo e o Robson, o pretinho serelepe.

Ia caminhando fotografando com meu celular tudo que me interessava pelo caminho.

Tirei fotos magníficas tanto de mim como do Clo. Deixando o Robson com ciúmes de nós dois pois  ele, como eu, não tem parança.  Penso que ele é hiperativo e carece usar Ritalina.

Aquela estradinha nanica já me deu tanto trabalho quando a fiz nascer.

Ela liga uma casa de cor amarelazul, cenário do meu romance Madest. A outra que construí a beira represa do Funil.

Em tempos de chuva ela fica intransitável. É  um sobe e desce morro que quando eu morrer não quero correr o risco de ser enterrado ali.

Já gastei tudo que tinha e não possuía na sua reconstrução. Calcei de bloquetes um morro mais topetudo. Ficou mais ou menos bom o serviço. Pena que o barranco do lado desbarrancou e quase levou a estradinha pro buraco.

Depois do morro agudo enfim vem uma reta. Que vai direto a minha morada onde pretendo passar escrevendo meus últimos dias.

Esqueci-me de um grande detalhe a detalhar. Dantes desse morro calçado com pedras de cimento, numa meio reta e meio curva, cobriu-se de grama formando quase um  pasto sujo. Quase dei o gramado de comer aos pneus da minha caminhonete Orock marca Renault, quase nova. Ela não quis, pois tinha seu tanque cheio de gasolina. No final dessa estrada uma porteira de ferro tinto em verde dizia a nós: “por favor, o último a sair me fecha”. E eu fechei e tranquei à cadeado quando deveria, em verdade, trancar minha pena escrevinhadora.

Meus amiguinhos Clo e Robson me agradeceram latindo a bela volta pela estradinha.

Essa estradinha nanica une duas moradas supra citadas.

Sempre que posso, inclusive quando não posso, passo por ela num vai e vem sem me revoltar pelo curto trajeto.

Essa estrada me agrada e eu a agradeço quando por ali passarinho.

Mas, hão de concordar comigo. Existem estradas por onde vamos caminhando, lucubrando se vale a pena continuar. Como por exemplo. Aquelas estradas das discórdias. Quando tentamos fazer outros compreenderem ser esse o caminho certo e eles discordam. Não havendo concordância o que eu faço. Simplesmente tranco meus ouvidos com o mesmo cadeado usado na porteira por onde passei bem acompanhado dos meus amiguinhos Clo e Robson o pretinho.

Eles sim são de verdade bons e meus melhores amigos cães.

Cães não discutem com a gente. São fiéis e devotados. Não nos atraiçoam nem nos viram a cara. Ficam juntos da gente nos bons e maus momentos.

Essa estrada curtinha por onde passei na manhã de hoje. Mesmo que ela tenha me dado uma infinidade de problemas. Tenha me custado caro tanto a sua construção e manutenção.

Caminhar por ela bem acompanhado por amigos latidores que não falam, mas demonstram amizade descompromissada com maldade.

Essa estrada sim. Com certeza vai me levar a um lugar bem perto da felicidade que tanto procuro.

 

 

 

 

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