Essa palavra pode parecer estranha aos poucos versados em versos de nossa última e linda Flor do Lácio inculta e não menos bela.
Quem batizou nosso português desse jeito?
Não foi outro não menos insano como eu, que aqui está, nesse feriado de 21 de abril, a não dar folga ao meu computador escrevinhador. Quem escrevinha sou eu e não ele que apenas obedece ao tiquetaquear dos meus dez dedos hiperativos. Quem deixou escrita essa metáfora foi Olavo Bilac no seu soneto “Língua Portuguesa” ao se referir ao nosso idioma. Essa expressão exalta a nossa língua, tão maltratada, mal falada e mal escrita aqui no nosso cantinho chamado Brasil. Onde tantos cantores e compositores vivem a custa de sua arte. Uns fazendo arte de verdade e outros enganadores trovadores insistem em compor coisas esquisitas como funk e outras bem piores que não somente agridem nossos ouvidos deixando-os moucos de tanta balbúrdia infernizando a vida de pessoas que sonham em dormir em paz em suas moradas simplesinhas em endereços onde carteiros e entregadores têm um medo justificado de comparecer em corpo e alma.
De volta à Última Flor do Lácio inculta e bela, bom que se deixe escrito ser essa expressão magnífica uma exaltação a nossa língua como a última derivada do latim vulgar, falado na região do Lácio, na belíssima Itália, destacando sua beleza, origem e evolução.
E essa palavra título- Encomiar? Entendam-na também como elogiar, aplaudir, enaltecer, exaltar os méritos, louvar, dar valor e outros sinônimos mais.
Pra mim e pra muitos se torna mais fácil denegrir a imagem de uma pessoa a exaltar as suas qualidades. Tem-se o costume de falar mal a dizer que aquela pessoinha é boa como um cafezinho bem acompanhado de uma broa de milho novo saltando queijo pelas ventas como aquele feito com capricho por nossa avozinha querida.
Encômios ou elogios são menos frequentes dizeres a ofensas e reclamações sobre esse ou aqueloutro atendimento, sobretudo em serviço público.
Tudo isso já senti na minha epiderme quando atendia em postos de saúde tanto na minha especialidade urologia quanto em clínica médica que todo médico deveria ser capaz de exercer bem ou mal quando sai da escola de medicina.
Uns, infelizmente, a minoria comenta bem da gente. Já a maior fatia do bolo vai aos jornais dizendo ser o doutor um canastrão mal educado e que mais dorme em serviço que atende prontamente os consultantes.
A partir da idade em que me encontro tento ser mais cuidadoso ao emitir opiniões. Oiço mais que falo. Sou todo ouvidos mesmo quando falam mal de colegas. E, quando os defendo pareço-me a um advogado criminalista que usa a sua oratória com raro brilho defendendo seus clientes como meu primo Negis Rodarte, um brilhante causídico.
Equivoca-se quem pensa que médico não pode nem deve ficar doente.
Euzinho, quando uma enfermidade me bate a porta tranco-a com cadeado graúdo.
Fujo de farmácia onde só compareç o na intenção de comprar Sonrisal.
Quase sempre me auto medico. Desaconselho que sigam meu caminho.
Como não tecer encômios aos meus colegas de turma da safra especial dos idos anos de 1974 da faculdade de medicina da UFMG. Tem até escritores no meio deles. E um profeta escritor doutor do qual aproveito frases para inserir no meu romance Ucrânia que tenho a intenção de concluir ainda esse ano.
Faz uma penca de dias que tive de ser atendido na Santa Casa de minha cidade.
Como médico metido a escritor, de dias pra ontem senti uma dificuldade moderada de digitar.
Como era véspera de feriado não encontrei um neurologista que fosse capaz de me atender naquela sexta feira desse mês de abril.
Confesso que fiquei por de mais preocupado. Não tinha como me auto medicar e nem Sonrisal seria indicado no tratamento de meu queixume.
Bati à porta da tal Santa Casa. Que no meu entender deveria se chamar Santinha das Causas Impossíveis.
Como não estava passando tão mal pensava ter de esperar pra ser atendido. E nem gastou tanto tempo e fui de pronto conduzido gentilmente à sala de uma doutora pra mim ainda desconhecida.
Que voz de trombone, elazinha falava tão alto quanto a torre da igreja matriz onde se toca a Ave Maria nas horas certinhas.
A doutora me inspirou competência e lisura no meu atendimento. Auscultou-me os batimentos cardíacos e aferiu minhas cifras tensóricas que estavam pra lá de normais.
E ainda, de bate pronto, me pediu uma tomografia da cabeça pra constatar se meus neurônios estavam sossegados em paz com eles mesmos.
Fiz o tal exame naquela horinha. Entrei de cabeça naquela máquina branca e quase silenciosa. E com que alegria quando soube que a tomografia nada deu de especial.
Não mais retornei à doutora do vozeirão. Ela nem se despediu da minha pessoa e eu parti bem melhor do que adentrei à Santa Causa. Munido com apenas minha carteirinha da UNIMED só tenho encômios a dizer sobre o atendimento maravilhoso daquele hospital que tanto serviço de ponta presta não somente a minha Lavras amada. Quanto a outras comunidades esquecidas pelo nosso Brasil afora.
Encomiar não é tão fácil. Denegrir, reclamar, criticar, censurar, depreciar e outros mais, estão na ordem do dia da desordem reinante em nosso malfadado país…