Nem prisso

Finado o caso das eleições. Temos de engolir outro sapo (desta feita barbudo). Não nos resta outra opção senão aquela de virar o disco. Passar a página. Ou como disse num texto anterior- mudar de assunto.

“Aceita que dói menos”. Quando se refere ao toque retal na intenção de ver como anda a saúde da sua próstata. Já que estamos em pleno novembro. E dizem que a cor de novembro é azul.

Foi este o dito que um colega de especialidade. Pra quem não sabe sou ainda urologista. Embora trabalhando menos na minha trilha na medicina. No entanto, quem pensa que estou aposentado comete mais que uma infração de trânsito. Um delito perdoável. Um pecadilho nada louvável.

Pois, meu saudoso pai já dizia: “não se aposente nunca meu filho. O ócio é o começo do fim”.

De fato. O médico, nos dias de hoje mais desvalorizado que uma moedinha de dez centavos. Não tem o direito de se aposentar com o salário mixo que lhe pagam.

Se assim fosse quem iria pagar as mensalidades do nosso plano de saúde? E as contas de energia e gás? Que sobem como um balão à estratosfera atingindo alturas imensuráveis e impagáveis? E o direito inalienável as férias numa pousada de quinta categoria numa praia nada paradisíaca qualquer? E o salário mais que o mínimo da empregada doméstica. E a sua cuidadora que em alguns meses vai ter de trocar—lhe os fraldões. Empurrá-lo numa cadeira de rodas alugada. Já que uma novinha, motorizada, custa tanto quanto dois dos seus salários. Somando-se o INSS e aqueloutros que percebe do estado e da prefeitura. Uma ninharia total.

Já disse dantes: “quem aposenta o médico é o paciente. Que prefere trocá-lo por um recém formado. Dito especialista como você se sentia. Já que as especialidades mudam e se modernizam como a roupa nova que a nossa avozinha usava”.

Quando alguém me envia um zap sobre se houve fraude ou não. Quando o assunto versa sobre politica vou logo deletando.

Quem venceu a disputa não me interessa. Se foi o cicrano ou o beltrano que ambos vão a merda. A mesma caca em que o país se encontra.

Agora o assunto é outro.

Ontem assistimos à convocação dos atletas que irão disputar a próxima copa do mundo no distante Catar.

Um país muito distinto do nosso. Onde os camelos ou os dromedários são como os nossos cavalos ou éguas. E passam dias sem beber água em contraste flagrante com os nossos compatriotas. Que não ficam um minuto sequer sem entornar duas garrafas de cerveja. Ou mais.

Onde ficar sem camisa à luz do dia. Ou nos modernos estádios preparados com zelo é considerado passível de multas gigantescas como Empire State Building.

Onde manifestações de carinho. Como beijos e abraços em público da mesma forma é vista com olhos de desagravo.

Estava eu. Um belo dia de sol. Era um sábado neste derradeiro final de semana. Quando entrei na prosa de dois compadres.

Era o Tiãozinho do Aristeu e o Sô Zé Antonho proseando.

Um dizia ao outro: “sabecumé? A copa do mundo não vai ser na copa. Acridito vai cê na cuzinha. Eu prifiro. Lá, no rabo quente do furgão a lenha é mais sardavel. Nois proseia mior. E as nossas cumades num interrompe a gente. E ficam caladinhas tricotando sobre a vidinha da cumade Joana. Qui num tem nada cuisso. Fica quetina no seu canto. Vosmecê votô no tar Borsonaro? Ou naquele coisa ruim do tar de Lula? Eu nulei meu voto. Não sô devoto de nenhum deles dois. Ah! Sabecumé né? Nois tá perdido. Tamo fudidos. A infração vai galopar mais que meu cavalo turdilho. Os precinho dos cumbustive vai subir que nem balão na noite de São João. Meu caro Sô Zé Antonho. Sumos amigus desde quando a lua subiu no arto. E sobre o assunto da tar seleção de futebor. O sinhô acha justo um jugador ganhá mais de um mião? Nois num ganha nem a quintagésima parti disso. Si tantu. Tem um tar de Vinicio Junio. Um molequinho pretinho como jabuticava madurinha. Qui tem seu preçu mais valorizado que mir carros de boi ou vaca de mio. E nois quiço? E a tar seleção pareadinha como os bois no carru vale mais que uma boiada inteirinha. Diz eles que mais de deis bilhão de dolars. Eu tinha um subrinho. De nome Tuninho. Fio da tia Chica. Que jugava um bolão. E nem pur isso ele valia mais que uma égua prenha de um cavalo trotão.”

Ao passar por ali não tive como não entrar no meio da prosa ruim.

Já que considero assuntos como futebol, política e religião não se devem querelar.

Mas vosmecês hão de cumigo entrar num acordeon.

Nem prisso…

 

 

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