Cumichão na parma da mão (comichão na palma da mão)

Naquela manhã chuvosa Tonho da dona Tonha acordou meio por inteiro ressabiado.

Na cama dura, num colchão feito sopa fria, uma goteira insistente fungava pingos ao seu lado.

Ao acordar Tonho botou os olhos num relógio. Acontece que não tinha unzinho. As horas ele olhava do lado de fora da janela.  Lá pertinho no galinheiro. Quando seu galo carijó entoava um canto triste. O motivo não era senão outro a perda da sua galinha preferida. A coitadinha, num descuido, ao anunciar o ovo no fiofó, acabou sendo presa de surpresa de um gavião.  Que a espreitava desde quando elazinha traia o galo carijó com um galinho nanico e esporudo. Um garnizezinho cantador que cantava todas as galinhas. Famoso e fanhoso por montar nelas todas na intenção de meter sua espora pontuda onde a gente pensa na hora do vamos ver.

Tonho passou a noite inteira com uma coceira incômoda na palma da mão.

Haviam dito a ele um dia que se foi no mês passado: “Tonho, não se avexe não. Coceira na palma da mão quer dizer dindim que vai entrar no seu bolso furado. Espera pra ver”.

E o velho Tonho esperava, mas cansou de ficar naquele banco da praça esperando o outro banco abrir as portas. Era naquele banco, o qual empresta dinheiro a juros altos. E, na hora de a gente pensar em pagar ele cobra mais do que pedimos emprestado. E ficamos devendo até a cueca onde alguns sem vergonhas políticos escondem a grana com medo de serem presos com a cueca suja.

Aquele comichão na palma da mão do Tonho da dona Tonha foi descendo, não de elevador e sim com muita dor. Passando pelo pescoço (uai! Aí subiu e não desceu). Indo devagarinho ao peito despeitado do pobre desinfeliz Tonho. Mais e mais incomodativo. Até buzinar no ouvido do umbigo sujo que nunca viu água na hora do banho. Chegando atrasado nas partes baixas coçando aquela coisinha que não sobe mais. Descendo um cadinho mais pelo saco murcho que ficou vermelhinho como pimentão madurinho. Caminhando lento pelas pernas curtas e magricelas. Até mais em baixo chegando à sola dos dois pés que não davam mais meia sola.

Aquele incomodativo comichão na palma das mãos chegou coçando a sola dos pés.

Tonho não sabia mais o que fazer. Comichava tanto que Tonho não conseguia andar. Dona Tonha, tentando amenizar a coceira do maridão. Na sola dos pés do marido fudido aplicou uma infusão de cocô de vaca com esterco curtido. Foi como se jogasse água fervendo nos oios remelentos. O comichão piorou mais ainda. Virou ferida a planta dos pés do Tonho. Examinando com lupa a região se podia ver um olhinho pretinho onde a coceira começava e não terminava.  Dona Tonha pensou ser bicho de pé. Expremeu aquilo com dois dedinhos e Tonho soltou um pum fedido. E o pseudo bicho do pé, que não era nada daquilo.  Acabou se mudando, de mala sem cuia para o pé da dona Tonha.           Que até hoje comicha tanto que ela não para o pranto.

Foi agorinha mesmo o acontecido. Tonho procurou ajuda de uma dermatologista de nome famoso nas cercanias sem cercas de divisa. E como era e ainda é bonita a tal médica da pele e fâneros. É com ela que vou me consultar no dia de hoje. A doutora Kiki (Cristiane Capotorto Barbosa Ferreira). É uma baita dermatologista filha do saudoso doutor Manuel Calhau, meu amigo.

Depois que a consulta com a doutora Kiki terminou o comichão na planta do pé do Tonho e a minha disse adeus e não até logo.

É o que espero. Amén nós todos.

 

 

 

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