Onde mora a felicidade?

Certo dia, movido pela curiosidade, queria saber o endereço da tal felicidade.

Procurei no catálogo telefônico e não encontrei. Andei, continuei minhas andanças, perguntando aqui e acolá, se alguém sabia onde morava a felicidade. A maioria troçava de mim. Pensavam até que eu era louco.

Uma pessoinha risonha até me perguntou sorridente: “o senhor quer saber onde mora uma senhora de nome Felicidade? Aquela mulher idosa que vive rindo? Ela se mudou. Não sei pra onde.”

Continuei a procura por ruas obscuras. Por lugares ermos onde a pobreza imperava. Onde ricos e abastados nem mostravam as caras.  E nada de encontrar a felicidade.

A minha procura se mostrou infrutífera. Por mais que procurasse nada de achar o endereço exato da felicidade.

Nestes tempos difíceis. Onde a pobreza e a violência preponderam. Com a crise mostrando as mãos estendidas em cada esquina esmolando aqui e acolá. A gente só encontra pessoas infelizes. Pais de família desempregados. Meninos esmolando nos semáforos. Cães vadios cavoucando sacos de lixo expondo podriqueiras em passeios de pouco asseio. E nada de encontrar a felicidade, parenta próxima da alegria. Acredito que ambas se mudaram sem deixar endereço. Imagino até que as duas acabaram se mudando para uma rua chamada Tristeza.

Mas para o meu amigo, cujo nome começa por Amizade. E termina por Simplicidade. Ele sim sabe, com certeza, onde mora a tal Felicidade.

Segundo elezinho me disse. Numa prosa boa que tivemos na semana passada. Quando passei por onde ele morava. Numa casinha singela. Dependurada num morro de onde se avista bem de pertinho o céu.  Aquele senhor, já bem andado em anos, assim me explicou quase murmurando.

“Se você deseja encontrar onde mora a felicidade não vai por esse caminho. Siga por aqueloutro. Bem simplesinho. Ali não tem ruas calçadas. Prepare-se para comer poeira. De vez em quando pode encontrar um cão amistoso latindo. Não tenha medo. Ele deseja apenas a sua companhia. Já que se trata de um cãozinho escorraçado, cujo único pecado foi ter crescido demais. E, num momento pra ele único, recheado de alegria e felicidade, quando pensava ter ido passear com a nova família que o adotou. Quando o carro parou no acostamento, ele, o pobre infeliz cãozinho, pensando ter tempo para urinar, foi deixado à beira da estrada. Abanou o rabinho, ladrou de mansinho, e nada de de novo irem a ele buscar. Ande um cadinho mais. Dê-se tempo de olhar as flores do campo. Não tenha pressa de chegar. Respire, permita-se andar devagarinho. Lembre-se que devagar se vai ao longe. Diga bom dia ou boas tardes, se for a hora, a quem com você se cruzar. Não se acanhe se a pessoa não retribuir ao seu cumprimento. Ela deve ter seus motivos. Ande um cadinho mais. Não se apresse. A hora chega que vai encontrar onde mora a felicidade. Ela não tem endereço certo. Muda-se quase sempre. Nessa hora ela se mudou pra bem distante da azáfama em que vivemos. Bem longe do burburinho dos carros. Distante das cidades onde mora gente que não sabe sorrir. Quando chegar a uma encruzilhada da estrada. Numa bifurcação onde flores foram plantadas recentemente. Onde um jardineiro cuida delas carinhosamente. Olhe pro lado direito em direção a uma casinha bem simplesinha. Sem grades e cheia de roseiras no jardim. Entre por aquela porta sempre aberta. Não se avexe que você será muito bem recebido pela dona da casa cujo nome é dona Felicidade. Ela mora ali. Junte-se a ela e será bem  vindo”.

Ah! Era isso que gostaria de saber. Agora já sei onde ela mora. Quem sabe pra aquela casa irei me mudar? Basta me desvencilhar de tudo aquilo que afeta a singeleza de minhalma.

 

 

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