“Dotô, quero fazer um enchimento”

Pra quem não sabe. E não se recusa em saber.

Disfunção erétil é sinônimo de impotência sexual.

Essa enfermidade tanto pode acometer gente de mais idade quanto pessoinhas jovenzinhas, na flor da mocidade.

Ela se explica quando aquela coisa não sobe quando deveria. Na hora do vamos ver ela nem se mexe. Fica cabisbaixa e não arreda um palmo acima do que deveria. E, não carece dizer que o outro lado fica zangado. Já que ela espera ver satisfeito seu prazer. Uma coisa tão boa que faz tantas pessoas pularem a cerca. Sob um risco iminente de serem pilhadas em fragrante delito. Mas eles ou elas repetem o mal feito. Já que sexo não deve ser punido com os rigores das leis.

A tal disfunção erétil tem causas distintas. Tanto pode ser devido a um ato falho que porventura acontece na falta de vontade. Por não amar aquela fulana pois ama em verdade a cicrana. E só pensa nela. No jovenzinho por causa de uma pelinha que encapa o órgão copulador. E acaba impedindo a penetração por razões não tanto evidentes chamada fimose. Ou por falta de sangue que deveria encher os chamados corpos cavernosos. Ou até mesmo por deficiência hormonal. Quando a testosterona abaixa além do normal a libido fracassa. E o casal cai em desgraça. E o amor sucumbe. A união vai pelos ares.

Bom saber que o tratamento da disfunção erétil está a cargo da sub especialidade chamada de Andrologia. Um capítulo do livro da Urologia. Especialidade cirúrgica da qual tenho a ventura de ter escolhido como a minha.

Hoje em dia temos diversas opções de tratamento. Remedinhos são as vedetes sobejamente conhecidas e compradas sem ser preciso o aval dos médicos. Eles deveras fazem efeito. Mas não se deve abusar do seu uso. Já que os efeitos colaterais podem por em risco a sua saúde.

Foi num dia desses. Não faz tanto tempo assim. Que me procurou no consultório um senhorzinho de mais idade.

Seu Juventino veio da roça. Aqui chegou bem cedinho. Veio acompanhado dele mesmo. Uma pessoinha mais que simpática. Magricela, corcundinha, quando fui cumprimentá-lo tive de me abaixar quase até o chão.

Seu Juventino, meio sem graça, custou a dizer a que veio. Quando a ele perguntei o que o trouxe até aqui ele respondeu: “foi um busão”.

“Não era b em isso que eu queria saber. Do que o senhor se queixa?”

Seu Juventino pigarreou e acabou respondendo: “a minha saúde vai bem obrigado. Só que aquela coisinha anda meio murcha. Parece que ele não incha mais. Fica murchinho na hora H. E quando fica cheio dura quase nadica de nadinha. E não dou conta de fazer meu pintinho entrar. Na minha roça dizem que pinto mole acaba sendo comido pelo gavião. Pois ele não da conta de entrar na cerca do galinheiro. Onde a sua mãe aflita, a dona galinha, o espera pra se juntar a sua ninhada de pintos novinhos. Vim aqui, me consultar com o dotô, na intenção de saber se tem um remedinho pra fazer um enchimento no meu pinto. Tô numa aflição que dá dó. As cabritinhas das minhas bandas andam dizendo que eu tô broxa. Tô não né dotô”?

Depois de examinar em detalhes aquele senhorzinho, e nada vendo de tão grave, acabei lhe receitando um remedinho qualquer. Espero que ele consiga encher o seu pneuzinho murcho. Se não vai ter de usar o estepe.

 

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