Ela veio de baixo, de família desestruturada cujo pai era desconhecido.
Elazinha sempre foi uma menina esforçada. Mal criada, mal amada, seguia os passos da mãe de vida desregrada.
Aos dez aninhos se deixou desvirginar por um primo. Foi então que começou a viver ao Deus dará. E ela dava. Uma hora se deitava com um. Noutra acordava drogada sem saber com quem passou a noite. Por sorte não se engravidou. E como era bonita a mocinha. De cabelos negros, lisos e fartos. Pernas na medida certa para serem cobiçadas por quem nelas passasse as mãos. E um traseiro que parecia ter sido feito por algum entendedor coisas lindas. Seu nome deveria ser Pecado. Mas em verdade era Ana, uma Aninha que ensejava volúpia. Ou paixão e amor no sentido exato da palavra.
Aquela mocinha nada pudica cresceu ambiciosa. Sonhava enricar. Mas a vida na periferia onde morava nada a ele prometia de melhorar.
Aninha deixou a casa na tentativa inglória de tirar os pezinhos daquela lama viscosa onde sempre viveu. “Se isso se chama vida prefiro viver noutra vida”. Dizia ela requebrando as cadeiras roliças. E esse trejeito meio amalucado fazia os passantes perderem o juízo.
Aos dezoito anos, nas redes sociais, descobriu um mocinho nascido com aquilo pra lua.
Seu nome deveria ser Riquinho. Que em verdade era mais que isso.
De família endinheirada. Nascido em berço doirado. Aquele rapazola não tinha do que se queixar.
Exibia-se pela cidade num Jaguar nunca antes visto por aquelas bandas. Era um playboy de causar inveja a qualquer Chiquinho Scarpa nos seus melhores dias.
Dono de uma frota de carros que ajuntados juntos custariam mais que alguns milhões de notas verdinhas.
Seu pai era empresário. Sua mãe uma socialite que se dizia influenciadora digital. Daquelas que ostentam e não inventam a sua fortuna.
Aninha sempre sonhou com uma vida desse jeitinho. Passando férias numa ilha grega ou num resort cujo preço era mais salgado que as águas do mar.
Num dia afortunado ela teve a sorte de ser apresentada ao endinheirado moço de muitas qualidades. A maior delas era a fortuna que possuía.
O rapaz por ela se encantou. Quem, em amalucada consciência, não faria o mesmo?
Eu mesmo perderia a cabeça e de quebra o resto do corpo por um petisco assim.
Aninha e elezinho acabaram se casando. Mesmo contra a família do riquinho mocinho.
Ele, aos vinte e dois. E elazinha dizendo ter apenas dezoito.
Não carece dizer que na lua de mel Aninha teve de simular uma virgindade que não tinha.
Levou pra cama um saquinho repleto de sangue de galinha morta de véspera. E com aquilo empapou de vermelho o lençol.
Na primeira noite elazinha disse ter sentido muita dor. E quase teve um chilique quando aquilo meio mole nela penetrou.
Riquinho muito rico, que em verdade se chamava Onassinho. Talvez seja seu pré nome tirado daquele grego mais que milionário. Apaixonado pela Aninha sabidinha. Que sonhava ser mais que alguém na vida.
Já na cama, fingindo-se ser a mais feliz das mulheres. Já de posse de metade da fortuna do marido meio bobão. Ou melhor, bobão inteiro. Com aquele cartão de crédito de uso ilimitado.
Fez uma declaração de amor ao seu desmiolado marido.
“Meu amado esposo. O grande amor de minha vida apenas conheci ao ver você.” (e olhou de soslaio o cartão de crédito).
E, fazendo compras num shopping, de posse daquele cartão de crédito que só usa em compras a vista, e não a perder de vista. Deu um beijo nele e jurou fidelidade eterna. Até que o saldo não fique no vermelho.
E não precisa dizer que ela, Aninha. E o cartão de crédito, foram felizes para sempre. E nem a morte do marido, Onassinho, os separou.