As boas eu guardo. As ruins eu apago

Ah se fosse possível fazer desse jeito…

Nada daria errado. E tudo na vida seria acertado.

Coisas erradas seriam riscadas do dicionário. As certas ocupariam o seu lugar.

Rusgas não existiriam. Apertos de mãos seriam dados graciosamente. E a semente do bem seria plantada em terra fértil.  E nasceriam apenas verdades. As mentiras sucumbiriam em pouco tempo. Já que só poderia sobreviver nesse mar de águas plácidas apenas e tão somente a fraternidade. A igualdade de gêneros. A vontade de fazer o certo. E não cometeríamos atrocidades como se vêem a cada dia. Na mídia sedenta de sangue e violência desmedida.

Ah se pudéssemos colecionar apenas amigos. E os desafetos dessem as mãos. Não existiria maldade. E muito menos falsidade.

Se a gente pudesse viver em meio à bondade. Onde a falta de amizade não fosse encontrada em cada esquina. E apenas existisse bem querença e não desavenças. Onde nesse mundo não predominasse a imundície de esgoto correndo a céu aberto. Exalando fedentina com o mau cheiro de uma latrina destampada.

Se a gente pudesse viver em meio à beleza das flores. Que elas não morressem em pouco tempo e vivessem durante toda eternidade.  Que a gente pudesse admirar apenas o belo. Já que o feio nem existiria.

Se a gente pudesse conviver apenas entre amigos. E fazer dos inimigos pessoas afáveis e cordiais.

Se pudéssemos dizer aquela pessoa que amamos tanto. E ela agora faz parte do passado.

“Não me procure no passado. Pois estarei no presente. E não estarei presente quando você vier me buscar”.

Se a gente tivesse a regalia de guardar apenas coisas boas assim o faria.  As ruins sonegaria. E daria um tempo para poder viver em meio às flores sem espinhos.

Infelizmente a vida me ensinou que não é bem assim. E viver não é tão ruim. Ver o lado bom das coisas basta olharmos pra dentro de nós mesmos. Ninguém é totalmente ruim. Temos um lado bom dentro de nós. Basta descartarmos um dos lados. E deixar prevalecer o nosso lado melhor.

Ah se eu pudesse guardar dentro de mim apenas as coisas boas. E esquecer as piores. Mas elas convivem maritalmente em afável harmonia. Marido e mulher de vez em quando brigam. Mas quando um não quer deixa a raiva secar. Torna-se difícil atravessar uma estrada lamacenta.  A gente pode escorregar.  Mas quando o barro seca vai ser mais fácil caminhar. Vamos pisar em terreno duro sem muitos escorregões.

Se fosse possível viver guardando apenas coisas melhores como vamos identificar as piores? Para saber separar o joio do trigo carecemos experimentar entre distintos sabores. Entre a doçura do mel e o azedume do limão mora uma leve distinção.  Se pusermos adoçante ao sumo do limão ele vai ficar docinho.  Assim caminha a nossa vida. Que pode ser insossa ou recheada de inspiração poética.

Pena não ser possível viver apenas em meio às coisas boas. Seria de bom paladar fazer as más melhores que são.

Tenho duas metades. Uma que enxerga o lado menos glamoroso da vida. E a outra que se acostumou a ver o mundo da cor azul desse céu que no dia de hoje me acordou.

 

 

 

 

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