Não é o fim do mundo

Ao contrário do que profetizam os arautos do apocalipse o planeta está longe de virar pó.

Nós, sim, somos finitos. Um dia iremos partir. A morte nos ronda a cada passo. O fim se anuncia em data não presumível.

Embora tragédias tenham acontecido. Como a que estamos presenciando nas inundações daquele estado sulino. As mudanças climáticas são verdadeiras.

Esse planeta, chamado Terra, tão agredido e vilipendiado. Sempre renasce das cinzas como a ave Fênix. Depois de uma queimada a vegetação se reverbera. Depois de uma enchente as águas voltam ao seu lugar.

O homem, por mais que agrida seu mundo lindo. Ele responde dizendo: “sou mais forte que seu ímpeto destruidor”.

Tenho um amigo de nome Zico Certeiro. Não sei o porquê de ele sobre assinar desse jeito. Já que sua pontaria é tão vesga como ele. Não acerta um tiro só na latinha grandona há menos de um metro de lonjura.

Elezinho se casou há coisa de alguns anos apenas.

A solteirice o incomodava. Zico até que pensava em viver só.

Mas, numa noite estrelada. Numa festança nas vizinhanças da rocinha onde morava. Eis que apareceu uma linda rapariga vestida de chita engomada.

E ele caiu de amores sobre ela. Foi uma queda não anunciada.

Acontece que a música fê-lo perder o prumo. E foi jogado ao chão duro de cimento tinto em vermelhão. E caiu justamente no colo da linda dama. Que de dama só tinha a fama.

Zefa era mais rodada que pião gasto de tanto rodar. Tinha mais horas de cama que lençol de puteiro de má fama sem ser trocado uma única vez.

Mesmo assim o consórcio aconteceu. Embora a vizinhança o tenha alertado sobre a procedência duvidosa da tal Zefa.

Mas dizem que o amor é cego. E dada à vesguice do compadre Zico ele não acreditou na besteira que iria fazer.

Zefa até que se comportou de acordo com figurino de mulheres damas. Isso no primeiro ano de união.

Zico era um trabalhador contumaz e consumido pelas horas que varavam madrugadas na capina de sua roça de milho antes que ela madurasse e fosse jogada num buraco para se transformar em comida de vaca.

Um ano depois Zefa mostrou sua verdadeira cara. Antes até que satisfazia os anseios do marido quando ele a procurava na cama. Não para dormir.

Mas, um ano se foi.

Zefa, sacana, acabou perdendo a atração que um dia sentiu pelo marido.

Num dia ela se deitava com o açougueiro da esquina. Ora com o retireiro madrugão.

Aquela relação entre o casal afundou como o Titanic ao atravessar o Pacifico. Dando de proa com um iceberg.

Zico, acostumado à boa vida de casado. Um ano depois acabou vivendo só.

Ele desaprendeu a cozinhar. Lavar a roupa nem pensava mais. Arrumar a cama? Era pra ele um desatino.

Dois anos se foram. Zico reaprendeu todas as tarefas as quais tinha esquecido.

Voltou aos mesmos costumes de dantes. Vivia solitário naquela casona enorme.

Reaprendeu a viver melhor que antes do casamento malogrado.

Foi num dia desses que o reencontrei. Era quase noite. A tarde se despedia do fim de mais um dia.

Cá comigo pensava que somente no casamento a gente encontraria a tal felicidade.

Que seria o fim do mundo caso nossa união chegasse ao fim.

De acordo com a opinião do amigo Zico não seria bem assim. Nem assado.

Não creio que nosso mundo tenha fim. Em tudo deve haver recomeço. Do princípio, ao fim.

 

 

 

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