Amo os dois com a mesma intensidade

Vinte de julho tem pra mim um significado especial.

Trata-se do dia em que nasceram duas coisas bem distintas.

A primeira, a quem dedico uma afeição sem igual, completa cento e cinquenta e sete anos desde que passou de vila à cidade.  Ela, a minha Lavras querida, embora não tenha sido aqui onde nasci, não a considero madrasta. Pois mãe é quem cria. Não apenas quem pare o rebento. Aquela que colhe em seus braços aquela pessoinha ainda pequeninha. Que chora, passa a resmungar anos mais tarde e da um trabalhão danado até se emancipar.

Aqui, nessa amada cidade cheguei aos cinco anos. Ela já era grande. E eu ainda um menininho prestes a entrar na escola. Foi numa de suas escolas que aprendi o baba. Cresci, espichei-me um cadiquinho. Naquela rua, bastante modificada nos dias de agora, aprendi a ter amigos. Pra onde foram os amigos da Costa Pereira? Os que restam hoje não são mais crianças. Ou são velhos como eu, ou fazem parte dos anjos do céu.

A minha cidade madrasta me recebeu de ruas abertas, sempre amável e cordial.  Não sei se ela sentiu saudades quando dela me ausentei.  Eu sim, sempre que podia, de Belo Horizonte retornava, ansioso para caminhar em suas ruas e avenidas. Assentar-me a um banco de sua praça, à sombra da vetusta Tipuana.  Para sentir no rosto um ventinho carinhoso da saudade de ti minha amada Lavras. Cidade que não troco por nenhuma outra. Pois, se não tenho o umbigo enterrado aqui meu coração palpita e ama infinitamente a você.

Lavras desponta no cenário nacional como das mais cultas e seguras para se viver.

Ela oferece um cadiquinho de tudo. Paz, segurança, acolhedora onde se fazem doutores como pulula gente boa. A cidade, que considero como minha, quase não tem motivos para se sair de aqui. Tem escolas a encher nosso cérebro de conhecimento. Não para por ai. Lavras nasceu predestinada a educar seus munícipes. Encaminhá-los vida afora sem precisar estudar fora de nossas fronteiras. A minha cidade trás no seu passado exemplos de pessoas que dignificaram o ser brasileiro. Mestres, doutores que aqui passaram em muito contribuíram para a grandeza de nosso Brasil.

Coincidentemente aqui nasceu, noutro vinte de julho, uma pessoinha pela qual tenho alta estima e amor verdadeiro.

Theo, meu primeiro netinho, Gael e Dom vieram depois.  Enfeitam a minha família com suas graças e traquinagens.

Eu o vi nascer naquele vinte de julho há nove anos. Nove aninhos ele completou ontem. Minha Lavras querida é bem mais velhinha. Mas como quero bem a eles dois.

Theo, Gael e Dom, são meus três netinhos.

Lavras é a cidade onde moramos. E creio que eles três têm a mesma opinião da minha.

Moramos nessa cidade tão linda. De um lado emoldurada pela serra da Bocaina. Mais ao norte pela estrada que nos ligava a ponte do Funil.

Meu querido Theo, espero vê-lo crescer nessa cidade. Como ela, a minha amada Lavras, tem crescido sem perder seu jeitinho de menina moça caminhando no rela do jardim.

Se um dia você se afastar da nossa cidade, volte sempre. Como eu voltava ávido por vê-la de novo. Com suas praças de rico verde. Com seus colégios centenários. Com seus hospitais que nada devem aos dos maiores centros. Com sua gente hospitaleira. Com seu comércio de portas sempre abertas às novidades.

Vinte de julho, data por demais especial.

Há cento e cinquenta e sete anos minha Lavras se tornou cidade.

Há nove anos antes meu querido netinho Theo nascia.

Tenho por vocês dois um carinho especial. De verdade, amo vocês com a mesma intensidade.

 

 

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