“Mãezinha! Qual o menor caminho para se chegar ao céu?”

Joãozinho, garotinho esperto e ao mesmo tempo ingênuo, no esplendor dos seus cinco aninhos. Via a sua mãezinha agonizar no leito de um hospital.

Mal sabia ele que a doença de sua amada mãe era irreversível. Um câncer ceifava a vida daquela pessoa boa, que amava seu único filho desde que ele nasceu.

Dona Dorotéia percebeu um nódulo em sua mama há dois anos passados.

E aquele caroço, a principio nada preocupante, acabou se espalhando pelos órgãos adjacentes.

Aquela sementinha brotou e enraizou pelo corpo inteiro.

Os médicos, quando descobriram a natureza maligna daquela enfermidade, nada puderam fazer.

Sessões de radioterapia de nada adiantaram. A oncologia se viu inoperante frente aquele câncer já metastático.

Dona Dorotéia sofria sem demonstrar sofrimento. Mulher guerreira acostumada a enfrentar as vissitudes da vida.

Mãe solteira. Criou seu filho sem se queixar. Ora trabalhava numa padaria. Outra hora num restaurante como faxineira.

Dorotéia era formosa nos primeiros tempos. Moça disputada nas festas onde comparecia.

Num vacilo se engravidou. O homem com quem se deitou não quis arcar com as responsabilidades. Já era casado. E não quis saber do filho que iria nascer.

Dorotéia enfrentou mundos e fundos durante a gravidez. Com aquela barrigona nunca deixou de trabalhar. Foi o pai e mãe de sua cria. Nunca deixou faltar nada em casa.

Joãozinho cresceu sem conhecer o pai.

Durante a enfermidade da mãe o garoto sempre esteve presente ao seu lado.

Desdobrava-se entre a escola e os cuidados com sua querida mãe.

Naquela noite, véspera de ano novo. O céu tingia-se de negro salpicado de estrelas.

Dona Dorotéia agonizava. Joãozinho segurava sua mão sem saber que aquela seria a última vez. Mal sabia ele que sua adorada mãezinha iria partir a outra vida. Ainda jovem, aos trinta e cinco anos, Dorotéia sucumbia à sua doença.

O menino rezava um Padre Nosso que estais no céu. Uma Ave Maria seguia nas suas orações.

No momento que o relógio mostrava meia noite dona Dorotéia sentiu que era hora de se despedir do amado filho.

Apertou-lhe a mãozinha. Deu-lhe um beijo na face. E de repente fechou os olhos prestes a seguir a outro mundo desconhecido.

Antes que ela morresse Joãozinho teve um lampejo de curiosidade.

E a ela perguntou: “mãezinha. Para onde a senhora vai? Parece que está se despedindo. Eu quero ir também pro mesmo lugar”.

Dona Dorotéia, já quase sem vida, a ele respondeu com os olhos rasos d’água.

“Meu querido filho. Estou indo em direção ao céu. Não fique triste, de lá olharei por você”.

O garoto Joãozinho ainda estava curioso. Pois não sabia como chegar ao céu. E               a sua mãe perguntou mais uma vez; “querida mãezinha. Qual o menor caminho para se chegar ao céu”?

Dona Dorotéia, já ofegante, antes de fechar os olhos para sempre, disse melancolicamente: morrendo”.

 

 

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