Problemas, quem não os têm?

Não há chuva que perdure para sempre. Muito menos tristeza que não se alegre de repente.

Pepinos não são os meus legumes prediletos.  Não por que eles não sejam legumes e sim frutas. Pepinos em verdade são frutas.  Aparentados as melancias e abóboras. Pois se desenvolvem a partir da flor da planta e contém sementes.

No entanto dos entre tantos pepino, no sentido figurado que seu nome figura. Entende-se que pepino pode ser interpretado como problema. Por vezes de difícil ou fácil solução. Coisas que algumas pessoas gostam de resolver. Já que vivem imersos em problemas na sua vida corriqueira.

Da mesma maneira problemas pra mim não são apenas assuntos controversos qual seja em prosa e verso. Que podem ser objeto de pesquisas cientifica ou discussões acadêmicas. Bem me lembro, nos bons tempos da escola, quando a professora no quadro negro escrevia um problema de matemática. Euzinho, não interessado nele, ficava de olhinhos abaixados olhando nos olhos da coleguinha que usava trancinhas e pra mim escrevia bilhetinhos deveras apaixonados. E eu respondia marcando encontros furtivos naquela pracinha que hoje se encontra vazia por causa da chuva que cai desde a noite passada.

Problemas, quem não os têm? Agora me pergunto.

A gente nem sempre fica indiferente aos problemas que nos atormentam. Eles fazem parte do nosso cotidiano. E as soluções nem sempre são fáceis.

Exemplifico, pagar as contas é um problema. Nem sempre o que ganhamos se torna suficiente.

Outro problema, no meu entendimento tacanho. É a hora deixar a cama num dia chuvoso como esse. O travesseiro atravessado me chama a dormir de novo. Mas quem diz que eu, madrugão assumido e consumado, me permito a mais esse desfrute. Levanto-me mesmo sonolento, lavo minha cara, assento-me ao trono. E saio de casa mesmo atrasado.

Já minha esposa, pepineira de mancheia, adorava resolver pepinos. Assim como ama comê-los, mesmo desconhecendo serem eles frutas e não legumes.

Por vezes me pergunto, mesmo não sabendo a resposta: problemas, quem não os têm? Não seria melhor reparti-los com alguém?

Já meu vizinho de roça, de nome Betão. Sujeito que num belo dia resolveu arrendar meu pedacinho de chão. Já que eu nada entendia do riscado. E passei mais de trintanos tomando prejuízo na atividade leiteira. Sem saber a razão de o leite ser branco saído de uma vaca preta. Nem o porquê da porcariada de porcos grunhirem à hora do abate depois de uma punhalada certeira no coração. Betão sempre me dizia: “meu amigo doutor Paulo, dando pra comer estou satisfeito”.

Na minha rocinha chegava sempre aos sábados. Antes do feliz arrendamento sempre eram noticias ruins que me esperavam. “O leite azedou, pois faltou energia. A melhor vaca do curral perdeu a cria. E acabou no bico do urubu. A minha égua atolou no mata burro, aquele que matou o burro não inteligente do compadre Antenor. O caminhão de leite não subiu o morro devido à lama. Tive de pedir o trator emprestado do vizinho e ele não deu conta e atolou também na barreira do curral”.

Problemas de difícil solução que me atazanavam desde então. Não tinha sossego e sim intranquilidades ao chegar a minha roça. Coisiquinhas que até hoje me apoquentam quando chove muito me atormentam. Mas esses pepinos pra mim são indigestos. Nem com sonrisal resolve.

Já tive problemas maiores. Agora eles estão mais e mais reduzidos. Eles se apequenaram tanto que nem me causam prurido.

Pois agora aprendi a não fazer dos grandes problemas maiores que em verdade são.

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