Nada tenho contra a minha. Pelo contrário.
Dela só tenho a fazer comentários alvissareiros.
É ela quem dorme ao meu lado. Paga as minhas contas com o meu talão de cheques. Faz cada comidinha deliciosa. Mais tarde acorda. E fica na cama a espera de um novo dia começar.
Já eu, madrugão consumido e consumado. Aqui chego sempre a mesma hora. De segunda a sexta feira acordo bem cedinho. Como o retireiro e o padeiro abro os olhos e saio ao trabalho. Não me canso dessa rotina. A ela me acostumei. A essa hora a inspiração me tira da cama. E tenho de retirá-la dos meus pensamentos sob a pena de sofrer as consequências. Nunca seria demais lembrar que a trema perdeu sua vez e caiu em descrédito.
Como tem chovido nesse ano em seu começo. Hoje, sexta feira, 23 de janeiro, mal se vê o azul do céu. O cinza predomina. A azulice do azul do céu fica escondida entre o cinzento das nuvens escuras. Parece que o final de semana vai ser desse jeito. Acredito que não poderei ir a minha rocinha.
Tenho essa companheira em alta estima. Ela me acompanha nas minhas andanças ou correlanças. Ela não se desgruda de mim. Anda ao meu lado. Sempre no mesmo ritmo desacelerado. Quando corro ela para. Quando me movimento ela faz o mesmo.
Ela se parece a minha pessoa. Da mesma altura e da mesma envergadura. Tem a mesma silhueta minha. Não magra ao excesso nem obesa carecendo de dieta.
Distinguimo-nos pela cor. Conquanto eu seja branquinho ela é negra como piche.
Uma peculiaridade minha inseparável companheira tem. Ela, como eu, não temos muita intimidade com dias nublados. Apreciamos dias ensolarados. De céu azul e no máximo cheio de nuvens branquinhas. Em dias cinzentos e chuvosos ela se esconde não sei onde.
A outra minha inseparável companheira agora dorme ou tenta dormir de novo.
Já eu não consigo ficar na cama pensando no que escrever no dia seguinte.
Eu, e minha outra inseparável companheira quase não nos falamos. Quase não, nunca.
Parece que ela não sabe falar nem resmungar. Permanece ao meu lado, geralmente do lado contrário ao sol. Caminhando ou correndo juntinho a mim.
Se disserem que minha inseparável companheira é minha amante preferida nego. Ela simplesmente me acompanha e não faz amor comigo.
Ela ocupa todo espaço volumétrico por detrás de mim. Acredito até que pesamos os mesmos quilinhos. Eu uns oitenta e ela não mais nem menos.
Hoje minha inseparável companheira não se deixa ver. Parece que ela ainda dorme junto a outra.
Temos disparidades e muitas afinidades. Ela se torna minha companheira quando faz sol. Quando escurece ela se retrai. Não a tenho visto nos últimos dias. Também, com essa chuvarada e céu tinto de cinza. A minha segunda inseparável companheira deve estar esperando de novo o sol brilhar para se juntar comigo.
Não nos separamos em dias ensolarados. Ela me segue como um cão fiel ao seu dono.
Que nome dar a ela? A minha primeira inseparável companheira se chama Rosemirian- Rosa para os achegados.
E a segunda? Que nome dar a ela?
Que tal batizá-la de dona Sombra? Ela vive a ensombrar os meus caminhos em dias de sol a pino.